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Os fatores por trás do desmatamento da Amazônia

O vídeo (em inglês) do canal Vox aborda o desmatamento da Amazônia. Ele traz um resumo dos principais fatores por trás do desmatamento, abordando um pouco da história da derrubada da principal floresta tropical do mundo.

O início do vídeo lembra que, durante a década de 1980, a destruição da Amazônia havia tomada as manchetes dos veículos internacionais de comunicação. O volume do desmatamento, cuja tendência continuava a subir aceleradamente até os anos 1990s, ameaçava a floresta e sua biodiversidade.

Mas a primeira onda de desmatamento se deu durante a ditadura militar, na década de 1970. O regime militar brasileiro, com vistas a explorar recursos naturais como madeira e minérios, incentivou a ocupação da Amazônia.

Ao mesmo tempo, implantou projetos de infraestrutura para facilitar o acesso à região, como a rodovia Transamazônica. A fim de incentivar a ocupação territorial, o governo estabeleceu incentivos financeiros ou em forma de terras.

Começava a derrubada da Amazônia para conversão em pastagem. Entre 1978 e 1988, aproximadamente 20 mil km² de floresta tropical foram derrubadas anualmente. Nos estados ao sul e à sudeste da bacia amazônica, formou-se a região conhecida como arco do desmatamento.

Outro fator que levou a uma intensificação do desmatamento foi o plantio de soja. O crescimento no consumo mundial de carne, a partir da década de 1970, trouxe consigo um crescimento na demanda por soja, que constitui uma importante fonte alimentar para os rebanhos animais.

Acompanhando a demanda mundial, da década de 1990 em diante a produção de soja brasileira subiu significativamente. Áreas desmatadas da Amazônia e ocupadas por pastagens foram adquiridas por produtores de soja.

Com isso, os fazendeiros originais avançaram floresta adentro, usualmente ocupando ilegalmente novas terras e expandindo o desmatamento. A força econômica da soja financiava o aumento da derrubada da floresta, expandindo o arco do desmatamento para o norte.

Em resposta, grupos ambientalistas intensificaram a pressão a favor da preservação da floresta. Em 2003, o governo brasileiro desenvolveu um plano para combater as causas do desmatamento.

Uma das estratégias adotadas foi a expansão das áreas protegidas, que somavam à época 28% da Amazônia. Em 2012, esse valor passou para 47% de toda a Amazônia, incluindo reservas indígenas, áreas de usos restrito e áreas de uso sustentável.

A fiscalização do cumprimento da legislação ambienta brasileira também foi intensificada. Em particular, por meio do monitoramento realizado pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis, IBAMA.

O trabalho do IBAMA teve como subsídio o desenvolvimento de um sistema de monitoramento da floresta. Criado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, INPE, o país conseguiu implementar o sistema mais avançado de monitoramento de florestas tropicais do mundo.

Finalmente, o plano contou com instrumento financeiros. Um deles esteve voltado à indústria agrícola, que estabeleceu um moratória à aquisição de soja originária de áreas de desmatamento da Amazônia.

As ações fizeram com que a taxa anual de desmatamento caísse dramaticamente entre 2003 e 2012. No mesmo período, a produção de soja e de carne, bem como o setor agrícola como um todo, continuou a crescer.

Ao ganhar importância econômica, o setor agrícola também ganhou poder no país, o que se traduziu em uma maior influência política. De 17% das cadeiras do congresso nacional em 2003, a bancada ruralista passou a ocupar 30% em 2012.

Nesse ano, concluiu-se a revisão do código florestal, diminuindo as restrições ambientais. Mas outros retrocessos, do ponto de vista ambiental, se materializaram. Entre eles, a redução do  orçamento do IBAMA, ou a regularização de terras da Amazônia ocupadas ilegalmente e desmatadas.

A partir de 2012, o desmatamento voltou a subir.

Em 2018, a bancada ruralista alcançou 44% das cadeiras do congresso nacional. Os interesses do setor dominaram o novo governo, que, em 2019, rapidamente alterou as instituições ambientais do país e minou a atuação do Ministério do Meio Ambiente – MMA.

Como consequência, verificou-se um salto na taxa de desmatamento entre 2018 e 2019. As áreas protegidas foram as mais afetadas. Em agosto de 2019, quase três vezes mais focos de queimadas – um indicador do desmatamento – foram registradas, em comparação com o mesmo mês de 2018.

Segundo o vídeo, estima-se que, nos últimos 50 anos, aproximadamente 17% da floresta amazônica original tenha sido desmatada. Um estudo sugeriu que se o desmatamento alcançar entre 20% e 25% da área original da Amazônia, a floresta pode sofrer danos severos e irreversíveis.

Isso porque a floresta não conseguiria reciclar água da chuva de volta para a atmosfera em quantidade suficientes para sobreviver. Partes da floresta se tornariam mais secas, com o risco do ecossistema se converter em cerrado. Grandes quantidades de gases de efeito estufa seriam liberados, intensificando o aquecimento global.

Fonte: Vox

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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