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Os bancos se preparam para as mudanças climáticas

O mercado financeiro começa a se preparar para os desafios das mudanças climáticas. Coordenado pelas Nações Unidas, o programa Iniciativa Financeira Ambiental reuniu dezesseis dos principais bancos do mundo para desenvolver uma metodologia interna de análise de riscos climáticos.

O programa faz parte da força-tarefa das Nações Unidas criada no âmbito do Conselho de Estabilidade Financeira sobre Divulgações Financeiras Relacionadas ao Clima. O objetivo é investigar os riscos do aquecimento global sobre a saúde financeira das empresas e de diversos setores da economia.

O primeiro passo foi dado recentemente. Por meio da Iniciativa Financeira Ambiental, os bancos elaboraram. testaram e publicaram um relatório com uma abordagem para análise dos riscos da transição para uma economia de baixo carbono.

Os riscos de transição podem ter prejudicar tanto os tomadores quanto a carteira de empréstimos dos bancos. A abordagem analisou a sensibilidade dos negócios atuais do banco em cenários futuros de transição em longo prazo.

Segundo o relatório, a expectativa é de que as economias mundiais irão caminhar em direção a formas de produção e consumo com baixas emissões de gases de efeito estufa. Nessa transição, haverão vencedores e perdedores entre os indivíduos e setores que tomam empréstimos no mercado financeiro.

Em geral, dois fatores deverão exercer maior influência para a transição. De um lado, as políticas climáticas implantadas pelos governos deverão afetar os tomadores de empréstimos e os setores da economia. Entre os exemplos de políticas, incluem-se a definição de um preço para o carbono, ou a elevação de padrões de eficiência energética.

De outro lado, melhorias tecnológicas teriam a capacidade de transformar a atividade econômica. Além de reduzir custos, podem alterar o comportamento da demanda. O relatório sugere que inovações tecnológicas futuras talvez sejam disruptivas, introduzindo súbitas alterações em setores da economia.

Com o avanço do aquecimento global, o relatório afirma que também crescerá o risco associado à transição. Com os impactos do aquecimento se ampliando, os governos ficarão submetidos à maior pressão para limitar as emissões.

A metodologia considerou três cenários diferentes, abrangendo um aumento da temperatura média global de 1,5°C, 2°C e 4°C até 2100. Combinou-se uma avaliação de risco em toda a carteira de empréstimos do banco com uma avaliação individual, de cada empréstimo concedido.

Mas ainda há muito trabalho pela frente. Além dos riscos de transição, os bancos iniciam também o desenvolvimento de uma metodologia de análise de riscos físicos das mudanças climáticas. É preciso se preparar para os impactos futuros. Eles vão se fazer sentir no bolso.

Mais informações: Extending our horizons
Imagem: Tabela 3.5 do relatório – análise de riscos de transição do setor de metais

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