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Ondas de calor das águas do mar

A frequência e duração das ondas de calor na superfície das águas dos oceanos subiu significativamente entre 1925 e 2016 devido em parte ao aquecimento global. Estudo de um time de cientistas da Austrália, Estados Unidos e Reino Unido aponta que a tendência continuará no futuro.

O estudo define como ondas de calor na superfície dos oceanos os eventos nos quais a temperatura da água fica extraordinariamente alta por longos períodos de tempo. Eventos desse tipo foram registrados, por exemplo, no Mar Mediterrâneo em 2003, na costa ocidental da Austrália em 20114, no noroeste do Atlântico em 20125, no nordeste do Pacífico entre 2013 e 2015, no sudeste da Austrália entre 2015 e 2016 e no norte da Austrália em 2016.

As ondas de calor na superfície das águas dos oceanos podem ter impactos ambientais e econômicos. Entre eles, o estudo cita o branqueamento de corais, mortalidade em massa de invertebrados marinhos, e a suspensão da pesca ou a redução das cotas de coleta de peixes.

Do ponto de vista ecológico, as espécies sofrem mais com os impactos de eventos extremos do que com alterações ambientais lentas. Ondas de calor marinhas foram associadas a grandes interferências na vida marinha, como a localização de espécies, mudanças na fenologia e na estrutura de ecossistemas, ou mesmo mortalidades em massa.

Uma das consequências do aquecimento global tem sido o aumento das temperaturas nas camadas superficiais dos oceanos. O aumento influência a ocorrência das ondas de calor, e a expectativa é de que o fenômeno se intensifique no futuro, em especial em um cenário de manutenção dos níveis atuais de emissões de gases de efeito estufa

Mas o estudo das ondas de calor estava concentrado sobre eventos atmosféricos continentais, como a que ocorreu na Europa em 2003, causando milhares de mortes. As tendências globais nos extremos da temperatura oceânica eram pouco analisadas.

Combinando levantamentos de satélite e monitoramento locais da temperatura da superfície do mar, o estudo caracterizou a evolução das ondas de calor em escala regional e global. Dados cobrindo praticamente um século, entre 1925 e 2016, foram avaliados.

Evolução no último século da média global das ondas de calor marítimas, conforme conjuntos de dados de temperatura da superfície do mar. O gráfico (b) apresenta a frequência, o (d) a duração, e o (f) o total anual de dias. Fonte: adaptado da figura 5 do estudo.

Foi possível revelar os padrões de mudança na frequência, intensidade e duração das ondas de calor na superfície dos oceanos. Os dados indicaram, entre 1925 e 2016, crescimento de 34% na frequência e de 17% na duração média dos eventos.

A combinação de freqüência e duração levaram o número anual de dias com registro de ondas de calor marítima a subir 54%. Grande parte do aumento ocorreu nas últimas décadas, indicando que a tendência tem se acelerado.

Segundo o estudo, o principal fator para a alteração das ondas de calor é o aumento da temperatura média da superfície dos oceanos. Os modos de variabilidade climática, como a oscilação entre El Niño e La Niña, provocaram grandes flutuações nas ondas de calor da superfície do oceano. Mas elas não contribuíram para a tendência secular de crescimento.

Tendo em vista os graves impactos ecológicos e a aceleração da tendência, os cientistas destacaram a necessidade de monitoramento detalhados dos eventos de ondas de calor na superfície dos oceanos. É urgente aprofundar o conhecimento a respeito do fenômeno e de suas consequências.

Mais informações: Longer and more frequent marine heatwaves over the past century
Imagem: Figura 2 do estudo – gráfico da evolução entre 1982–2016 do número total de dias de ondas de calor marinhas. A linha preta mostra média global do total de dias. A linha vermelha mostra a média após remover a influência do El Niño e La Niña. As sombras vermelha e azul indicam os anos de El Niño e La Niña respectivamente.

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