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Oceanos mais quentes

É usual associar o aquecimento global ao aumento na temperatura média da superfície terrestre. Afinal de contas, foi amplamente divulgado pelos meios de comunicação que 2016 foi o ano mais quente desde que o monitoramento moderno da temperatura teve início em 1880. Ou então que o último mês de Maio foi o terceiro mais quente já registrado, segundo acompanhamento da NASA.

Todavia, a temperatura média da superfície terrestre é um indicador parcial e incompleto. O aquecimento global representa o acúmulo de energia pelo sistema climático, sendo que mais de 90% da energia acumulada é absorvida pelos oceanos. Dessa forma, outro indicador fundamental para caracterizar o aquecimento global e seu ritmo de crescimento é a quantidade de calor dos oceanos, ou, em inglês, Ocean Heat Content – OHC.

Várias instituições internacionais de pesquisa tentaram produzir séries de dados históricas da quantidade de calor dos oceanos. Mas as séries de dados vinham acompanhadas de uma grande dose de incerteza em função dos instrumentos utilizados, dos métodos de mapeamento ou da climatologia considerada. Além disso, elas estavam focadas no aspecto global, deixando informações regionalizadas das bacias oceânicas em segundo plano.

Com o objetivo de reverter essa situação, um grupo internacional de cientistas revisou detalhadamente três séries históricas disponíveis sobre as mudanças na quantidade de calor dos oceanos. Para o período entre 1983 e 2012, eles avaliaram os dados por bacia oceânica, examinando as congruências e discrepâncias existentes entre as diferentes bases de dado, bem como o motivo porque ocorreram.

O resultado do estudo indica que os oceanos estão acumulando energia, como ilustrado no gráfico acima. Apesar de variações anuais ou entre décadas na taxa de crescimento, a partir de 1970 se registra significativa acumulação de calor em todas as bacias oceânicas estudadas, sendo o aumento mais pronunciado a partir de 1998. O estudo também indica que a absorção de energia não ocorre de forma concentrada, mas distribuída entre todas as bacias oceânicas.

Mais informações: Consensuses and discrepancies of basin-scale ocean heat content changes in different ocean analyses

 

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