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Objetivos sociais em conflito com objetivos ambientais

Nenhum país do mundo consegue atender às necessidades básicas de seus cidadãos sem o uso de recursos naturais de forma insustentável, aponta estudo de pesquisadores da Alemanha e do Reino Unido. Em geral, países ricos e com maior desenvolvimento social causam maior degradação da natureza.

O estudo adotou um conjunto de 11 indicadores sociais, idealizados como forma de medir um desenvolvimento “seguro e justo”. Também foi quantificado o uso de recursos naturais pelos 150 países avaliados.

Para tanto, os pesquisadores consideraram 7 processos ambientais críticos para a saúde do planeta. Cada um dos processos apresentava uma fronteira que, caso ultrapassada persistentemente ao longo do tempo, poderia levar a impactos severos.

Entre os indicadores sociais, incluíam-se expectativa de vida, saneamento, renda, nível de igualdade, ou qualidade da democracia. Os processos ambientais abrangiam, entre outros, as emissões de dióxido de carbono – CO2 -, o ciclo de fósforo, o ciclo de nitrogênio, o uso da água e a pegada ecológica.

Os dados foram ajustados, levando-se em consideração o comércio internacional entre os países.

Combinando os indicadores sociais e ambientais, os pesquisadores calcularam a sustentabilidade do uso dos recursos naturais por cada país necessária ao bom desempenho dos indicadores sociais.

A partir dos resultados, os pesquisadores sugeriram que é possível atender às necessidades básicas dos cidadãos sem exceder os limites ambientais do planeta. Mas isso demandaria uma mudança radical no modo de vida.

Exigiria, por exemplo, superar a busca por crescimento econômico em países ricos, eliminar rapidamente a queima de combustíveis fósseis, ou reduzir significativamente a desigualdade.

Todavia, quando se trata de objetivos sociais que vão além das necessidades básicas, os pesquisadores chegara a uma conclusão pessimista. Objetivos como a expansão do ensino médio ou a alta satisfação com a vida seriam alcançados com o uso de recursos naturais de 2 a 6 vezes maior do que o nível sustentável.

Dessa forma, a realização de alguns objetivos sociais poderia inviabilizar objetivos de sustentabilidade ambiental. É o caso, segundo os pesquisadores, da meta de limitar o aquecimento global. Eles poderiam ser prejudicados pela busca por objetivos focados no crescimento econômico ou em altos níveis de bem-estar humano.

De fato, nenhum dos 150 países avaliados teve um bom desempenho tanto nos indicadores sociais quanto nos ambientais. Como regra geral, quanto maior foi o desempenho social, maior se mostrou o excesso no uso de recursos naturais.

Para alcançar em escala global o atendimento das necessidades básicas de toda a população, não basta gerar igualdade dentro dos países. Será necessário tornar os diversos países mais iguais.

A economia global precisaria passar por uma profunda reestruturação, apontaram os pesquisadores. Só assim se realizaria a união das necessidades básicas das com um nível muito menor de uso de recursos naturais.

Na entrevista abaixo (em inglês), um dos pesquisadores apresenta os resultados do estudo.

Fonte: Universidade de Leeds
Mais informações: A good life for all within planetary boundaries
Imagem: figura 4 do estudo – os gráficos trazem o nível estimado de uso de recursos naturais necessário para atingir um nível de desempenho suficiente em cada indicador social (apresentados no eixo horizontal). Os círculos mostram o nível médio de uso de recursos naturais de todos os países que atingem o nível de desempenho do indicador social. Os asteriscos mostram o país que atinge o nível de desempenho do indicador social com o nível mais baixo de uso de recursos naturais. A linha verde indica o limite sustentável no uso dos recursos naturais.

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