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O prazo para cumprir o acordo de Paris está vencendo

O prazo para limitar o aquecimento global a menos de 2°C acima dos níveis pré-industriais é 2035, indicou estudo de cientistas da Holanda e do Reino Unido. A partir daí, as emissões anuais de gases de efeito estufa precisam cair significativamente até serem completamente eliminadas.

O objetivo do estudo foi analisar qual o prazo máximo para que tenha início uma redução ambiciosa das emissões, a fim de se alcançar as metas do acordo climático de Paris. Foram avaliadas as chances de limitar o aumento da temperatura média global em 1,5 e 2°C até 2100.

Os cientistas utilizaram modelos climáticos para estimar o prazo máximo para que a mitigação tenha início. Eles investigaram quando ações imediatas e profundas de mitigação precisam ser imediatamente implementadas, levando em consideração cenários diferentes em termos de probabilidade de atingir a meta e velocidade de implementação de energias renováveis e tecnologias de sequestro de carbono.

Em um cenário no qual a chance de atingir a meta seria de 67%, e com expansão da energia renovável na matriz energética mundial de 2% ao ano, estimou-se que as emissões de gases de efeito estufa poderiam continuar nos níveis atuais até, no máximo, 2035. A partir daí, deveriam cair a fim de que a temperatura permaneça abaixo de 2°C em 2100.

Para o mesmo cenário, segundo o estudo, não é mais possível restringir o aumento da temperatura média global a 1,5°C até 2100. Essa meta apenas se concretizaria se a redução significativa das emissões iniciasse imediatamente, e métodos de retirada do carbono da atmosfera fossem implantados em larga escala.

Os prazos mudariam em um cenário com a mesma probabilidade de atingir as metas, mas com a expansão das renováveis a uma taxa de 5% ao ano. Nesse caso, as emissões poderiam continuar até no máximo 2045. O prazo também se expandiria em alguns anos, apostando-se no uso futuro de tecnologias de sequestro de carbono.

No cenário de crescimento das renováveis em 5% ao ano, ainda é possível limitar o aquecimento global a 1,5°C até 2100. Políticas climáticas para a diminuição das emissões deveriam estar efetivas até 2027.

Todavia, os resultados também variaram dramaticamente de acordo com a probabilidade de alcançar a meta. No caso mais conservador, de baixo risco, com probabilidade de 95% de atingir as metas, até 2100 não seria mais possível evitar um aumento de 1,5°C. Para a meta de 2°C, o mundo teria até 2022 para iniciar cortes consistentes nas emissões.

Modificar a produção energética global é um desafio monumental, alertaram os cientistas. Do final da década de 1990 até 2017 – quase duas décadas -, a participação das renováveis no consumo de energia mundial passou de quase zero para 3,6%.

Os cenários adotados no estudo, portanto, incluíram taxas de expansão dessas fontes de energia sem precedentes.

Fonte: União Européia de Geociências
Mais informações: The point of no return for climate action: effects of climate uncertainty and risk tolerance
Imagem: Unsplash/ Heverton Nascimento

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