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O mundo não reduzirá o suficiente as emissões de carbono, diz professor do MIT

Antes de deixar a presidência dos Estados Unidos, Barack Obama escreveu em um artigo que o crescimento econômico do país estava se desatrelando das emissões de gases de efeito estufa. A afirmação se baseava em dados da administração de Obama apontando que, entre 2008 e 2015, os Estados Unidos haviam crescido mais de 10%, enquanto que as emissões do setor de energia caíram 9,5%.

Um professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts – MIT, na sigla em inglês – decidiu investigar a validade do argumento do ex-presidente dos Estados Unidos. Segundo o professor, a ligação entre o crescimento da atividade econômica e as emissões de gases de efeito estufa é uma questão crítica das mudanças climáticas. Isso porque toda atividade econômica requer energia; na medida em que a energia é proveniente de combustíveis fósseis, os usos da energia pelas atividades econômicas resultarão em emissões.

Nesse sentido, cortes de emissões implicarão em limites ao crescimento econômico. Daí a necessidade de desatrelar um aspecto do outro, a fim de que possa haver simultaneamente corte das emissões e crescimento econômico. Na abordagem do professor do MIT, a ligação entre economia e emissões se divide em dois pontos: a intensidade energética, que é a quantidade de energia utilizada para produzir mercadorias, e a intensidade de carbono, que é a quantidade de CO2 por kW/h emitida pelas fontes de energia.

Aplicando essa abordagem ao caso dos Estados Unidos, o professor do MIT identificou que, no período entre 2008 e 2015, o país alcançou ganhos em intensidade de energia e carbono o suficiente para sustentar um modesto crescimento econômico, de 1,4% ao ano em média, e ao mesmo tempo reduzir timidamente as emissões, em -1,4% ao ano em média.

Contudo, as projeções do período entre 2014 e 2050 sugerem que os resultados obtidos durante a presidência de Barack Obama constituíram uma tendência de curto prazo. Com metas ambiciosas de redução de carbono e crescimento anual de 2%, os Estados Unidos conseguiriam reduzir as emissões a uma taxa ínfima de 1% ao ano. Caso as condições registradas entre 2008 e 2015 se perpetuassem até 2050, as emissões poderiam ser reduzidas em 56% abaixo do nível de 2005, o que ficaria bem abaixo da meta de 80% estabelecida pela administração Obama.

Kaya Identity Relationships in Two Time Periods
O gráfico de cima mostra os ganhos em intensidade energética (barra amarela), em carbono (barra azul clara) e o crescimento do produto interno bruto (barra azul); os resultados estão separados para o mundo, a China e os Estados Unidos. O gráfico de baixo apresenta as emissões de CO2. A coluna da direita mostra as projeções para 2040. Fonte: Figura 1 do artigo

Aplicando a mesma abordagem para a China e para o restante do mundo, os resultados mostraram que, entre 2008 e 2015, o crescimento econômico esteve associado ao aumento das emissões dos gases de efeito estufa. A China cresceu a uma taxa anual de 11,1%, obtendo mais do que o dobro de ganhos na intensidade energética e de carbono do que os Estados Unidos. Mas suas emissões foram 34,2% maiores. O crescimento mundial foi de 5,3% ao ano, acompanhado de um aumento em 11,1% nas emissões.

Dessa forma, as melhorias registradas entre 2008 e 2015 na intensidade energética e de carbono se mostraram bem abaixo do necessário para evitar um severo avanço do aquecimento global. A afirmativa de Barack Obama não era realista. Nesse sentido, argumenta o professor do MIT, é improvável que o acordo climático de Paris tenha sucesso. Ele recomenda aos países investir em adaptação às mudanças climáticas e, até mesmo, explorar ações de geoengenharia, intervindo no sistema climático.

Mais informações: Decoupling Economic Growth and Carbon Emissions
Imagem: Pixabay

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