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O impacto do desmatamento no aumento da temperatura

A alteração no uso e ocupação dos solos contribui para o aquecimento global por meio da emissão de gases de efeito estufa. Mas outro efeito diz respeito a como o desmatamento cria desequilíbrios energéticos na superfície, fazendo com que as temperaturas locais aumentem. Um estudo de cientistas italianos estimou o impacto que as mudanças na vegetação provocam na temperatura local em todo o mundo.

Os ecossistemas terrestres, em especial as florestas tropicais, constituem elementos fundamentais no combate ao aquecimento global, à poluição atmosférica ou à desertificação. As florestas auxiliam na regulação das temperaturas da superfície. O desmatamento interfere com o clima local.

O estudo realizou a primeira análise global dos mecanismos biofísicos ligados à interface entre a vegetação e o clima local. Os cientistas analisaram como e de que forma a retirada da vegetação interfere nesses mecanismos, considerando as diversas regiões geográficas do planeta.

Os ecossistemas terrestres cumprem um papel fundamental no sistema climático, ressalta o estudo. Eles sequestram o dióxido de carbono – CO2 – da atmosfera. Eles também influenciam os fluxos de energia no sistema climático, principalmente através da quantidade de calor dissipada pela evapotranspiração e pela influência sobre o albedo – a quantidade de radiação solar que é absorvida ou que é refletida de volta ao espaço.

Os impactos da retirada da vegetação variam espacialmente e também segundo as estações do ano. As alterações no uso e ocupação dos solos podem levar ao aquecimento ou resfriamento do clima local, dependendo do tipo de vegetação, localização e do tipo de clima. 

Para realizar uma análise global, os cientistas utilizaram dados de satélite retratando mudanças na cobertura vegetal entre 2000 e 2015. Eles analisaram a substituição dos diferentes tipos de vegetação, quantificando as alterações nos componentes individuais do balanço energético da superfície e a resultante interferência na temperatura local.

As alterações no usos e ocupação do solo entre 200 e 2015 fizeram com que o albedo da superfície subisse. Mais radiação solar passou a ser refletida de volta ao espaço, deixando de ser absorvida. Todavia, as alterações também tornaram a superfície mais quente. O estudo estimou um aumento médio global das temperaturas em 0,23°C no período.

Esse sinal contraditório foi explicado pela retirada da vegetação nas regiões tropicais pela expansão agrícola. As florestas tropicais possuem baixo albedo, absorvendo grande quantidade de radiação solar. No entanto, a evapotranspiração da floresta apresenta uma influência mais intensa no clima local, contribuindo para o resfriamento.

O desmatamento elimina a evapotranspiração. Mesmo que o albedo suba, o resultado final é o aumento da temperatura local na superfície. O estudo também mostrou como a substituição da vegetação dos trópicos, independente do tipo, por terras agrícolas ou pastagem leva ao aumento da temperatura local. Mesmo a conversão de florestas em qualquer outro tipo de cobertura vegetal trouxe o mesmo efeito.

Os cientistas esperam que o estudo contribua na elaboração de planos de mitigação do aquecimento global. Por meio de uma análise local, seria possível ligar os impactos no clima com as políticas locais de uso e ocupação dos solos.

Mais informações: The mark of vegetation change on Earth’s surface energy balance
Imagem: Pixabay

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