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O gerenciamento da água, da terra e da atmosfera

A gestão da água, do uso de energia e do uso da terra estão se integrando cada vez mais, sugere estudo de pesquisadores de um instituto austríaco e de universidades do Reino Unido e da Alemanha. Eles propuseram uma nova metodologia de gestão da água em bacias hidrográficas, levando em consideração o uso da terra e os padrões do vento.

O Tempo local e regional, os usos da água e da terra estão sob a influência de atividades humanas, como a irrigação ou a agropecuária. Segundo o estudo, a floresta amazônica consiste em um exemplo de interferência. Lá, o desmatamento para criação de novas pastagens tem contribuído para a diminuição da chuva na maioria das bacias hidrográficas do país.

Também vulnerável às alterações meteorológicas é o setor de geração de energia. No Brasil, as hidrelétrica produzem cerca de 70% da eletricidade, número que era ainda maior no passado. Porque depende do ciclo hidrológico, a geração hidrelétrica fica submetida ao regime de chuvas e suas mudanças, o que pode ser impacto pelos usos da terra e da água.

A gestão isolada dos diferentes recursos naturais pode levar à degradação dos mesmos. Os pesquisadores apontaram que a gestão da terra, da água e da energia deve ser integrada, com vistas ao aumento da disponibilidade de todos os recursos.

Uma perspectiva integrada se torna ainda mais relevante frente ao aquecimento global e as mudanças climáticas. Nesse sentido, os pesquisadores desenvolveram uma abordagem de gestão da água em uma ou mais bacias hidrográficas, considerando os usos da terra e a direção predominante dos ventos.

A abordagem se baseia em duas metodologias. A primeira investiga como se dá o transporte de umidade dentro do território de uma única bacia hidrográfica, a partir dos padrões de vento predominantes. Atividades agrícolas – especialmente a irrigação – retiram água da bacia, perdendo parte dela para a atmosfera por causa da evaporação.

Ao mapear os fluxos de umidade da atmosfera, o método permitiria identificar os melhores locais dentro da bacia hidrográfica para posicionar as plantações. O critério de escolha privilegiaria locais onde, após o consumo de água, a umidade transpirada pelos cultivos irrigados seria transportada pelos ventos de volta para a bacia. Segundo o estudo, isso aumentaria a umidade do ar regional e poderia conseqüentemente levar a uma quantidade maior de chuvas.

A segunda metodologia considera a transposição de água entre bacias hidrográficas. Nesse caso, identifica-se o fluxo de ventos entre as bacias, verificando se a transposição de água de uma para outra poderia ser contrabalançada pelo retorno da água na forma de umidade e chuva.

Nesse caso, a direção predominante dos ventos deve ser contrária à direção da água transposta. Na bacia hidrográfica que recebeu a água, os projetos agrícolas deveriam ser planejados nos locais mais favoráveis para que a água evaporada retorne à bacia original.

O estudo aplicou a abordagem para a possibilidade de transposição de água de outras bacias hidrográficas para a do rio São Francisco. Foi identificada a direção predominante do vento ao longo da bacia, descobrindo-se parte da água transposta para o São Francisco, depois de evaporada, retornaria como umidade para o interior do Brasil.

A abordagem permitira expandir a área de culturas irrigadas em regiões específicas do Brasil, indicaram os pesquisadores, ao mesmo tempo em que aumentaria o tempo de permanência e, consequentemente, a disponibilidade de água no país.

Ela também auxiliaria no planejamento de ações de adaptação às mudanças climáticas, trazendo uma visão integrada dos usos da água, da terra e da energia.

Mais informações: Land, Water, and Wind Watershed Cycle: a strategic use of water, land and wind for climate change adaptation
Imagem: figura 6 do estudo – fluxos de vento e água e uso da terra entre as bacias dos rios Amazonas e São Francisco, passando pela bacia do rio Tocantins

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