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O fogo contribuiu para a expansão das pastagens

Há milhões de anos atrás, quando o sistema climático atravessava um período de resfriamento, os incêndios florestais contribuíram para a formação e expansão de pastagens e plantas C4, afirmou estudo de pesquisadores dos Estados Unidos.

A época do Mioceno corresponde ao período geológico compreendido entre cerca de 24 milhões e 5 milhões de anos atrás. No final desse período, registros paleoclimáticos apontam para um redução da temperatura média global.

A alteração foi acompanhada por um grande mudança nos ecossistemas florestais terrestres, por volta de 10 milhões de anos atrás. Áreas ocupadas por florestas diminuíram, sendo substituídas por pastagem e plantas C4 – como o milho e a cana-de-açúcar.

Esse tipo de vegetação realiza a fotossíntese de forma a conviver em melhores condições com condições de menores concentrações atmosféricas de dióxido de carbono – CO2 -, em ambientes tropicais mais secos.

As concentrações atmosféricas do CO2 caíram no final do Mioceno – que esteve associado ao resfriamento do sistema climático. Desse modo, essa queda constituiria um dos fatores por trás da expansão das pastagens e plantas C4.

Outros fatores seriam alterações na precipitação e no regime de fogo. No entanto, haviam poucas evidências disponíveis a respeito deste último.

Para investigar a hipótese da contribuição do fogo, os pesquisadores analisaram biomarcadores encontrados em paleossolos ou solos fósseis no norte do Paquistão. Eles coletaram amostras de solos datados do final do Mioceno.

A análise incluiu substâncias químicas e moléculas que indicavam o tipo de vegetação e a ocorrência de queima de matéria orgânica.

Os registros indicaram uma modificação substancial no regime de incêndios e na paisagem. No primeiro estágio, há cerca de 10 milhões de anos atrás, sob a influência do incremento das queimadas, as florestas originais foram substituídas por outras mais adaptadas ao fogo e por pastagens.

No segundo estágio, entre 8 e 6 milhões de anos atrás, os incêndios subiram acentuadamente. Em resposta, a cobertura floresta praticamente desapareceu, e as pastagens C4 se tornaram dominantes.

Segundo o estudo, ao longo de todo o período, a frequência dos incêndios na região subiu cerca de 5 vezes.

A transição estaria associada em parte às mudanças ambientais e em parte às características das pastagens. As gramíneas recuperam mais rapidamente de queimadas do que as árvores. Ao mesmo tempo, em períodos do ano de seca e calor, elas propiciam mais combustível para os incêndios.

O estudo conclui que mudanças no regime de fogo, mais frequente e sazonal, promoveu a redução das florestas e abriu espaço para a colonização das pastagens.

Os pesquisadores esperam que a metodologia aplicada possa ser aplicada em outros pontos do planeta, investigando outras eras geológicas. Melhorar a compreensão das interações entre o fogo e a vegetação auxiliará nas projeções das consequências do aquecimento global.

Fonte: Universidade da Pensilvânia
Imagem: Flickr/ Vágner Rondon

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