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O efeito estabilizador das águas da Antártica

O oceano Antártico pode ter contribuído decisivamente para a estabilidade do sistema climático observada ao longo do Holoceno – período que compreende os últimos 11 mil anos. Estudo de um time internacional de cientistas aponta que emissões de carbono pelo oceano Antártico contribuíram para manter estável temperatura média global.

Em comparação com outros períodos interglaciais, o Holoceno se diferencia por um aumento gradual da concentração atmosférica de dióxido de carbono – CO2. No início do período, as concentrações somavam cerca de 260 partes por milhão – ppm. Ao longo de milênios, elas subiram para 280 ppm.

Nos outros períodos interglaciais, o CO2 atmosférico se manteve no mesmo patamar ou diminuiu ao longo do tempo. Dessa forma, a estabilidade da temperatura média global durante o Holoceno esteve associada ao aumento gradual dos níveis de CO2.

O oceano Antártico possui um papel importante no fluxo de carbono entre os oceanos e a atmosfera. Devido às correntes marítimas, na região da Antártica as águas de camadas mais profundas, ricas em carbono, sobem para a superfície. No processo, parte do carbono é emitida para a atmosfera na forma de gás.

Para investigar se haveria uma relação entre o oceano Antártico e o aumento do CO2 durante o Holoceno, o estudo se baseou na análise de fósseis de sedimento marinhos. O método permitiu reconstruir a evolução das concentrações de nitrogênio, um importante nutriente, nas águas superficiais do oceano nos últimos 10.000 anos.

A presença de nitrogênio no oceano Antártico se deve à ressurgência de águas das camadas profundas. Serve, portanto, como um indicador para a concentração de carbono. O estudo detectou quantidades crescentes de nitrogênio na água ao longo do Holoceno.

O resultado sugere que o fluxo de água de camadas profundas para a superfície se intensificou durante o Holoceno. Em consequência, a quantidade de carbono também aumentou, levando à maiores emissões para a atmosfera.

Os cientistas apontaram que essa pode ter sido a fonte para o crescimento de 20 ppm das concentrações atmosféricas de CO2. Assim, serviu para contrabalançar a tendência de resfriamento gradual que dominava a maioria dos períodos interglaciais anteriores.

Desde a revolução industrial, o CO2 atmosférico subiu de 280 ppm para além de 400 ppm em pouco mais de um século. Até o momento, os oceanos tem absorvido parte do carbono proveniente das atividades humanas, de modo a retardar a elevação das concentrações atmosféricas.

Esse papel dos oceanos pode mudar, se o aquecimento global interferir nas correntes oceânicas na região do oceano Antártico. Para os cientistas, as descobertas do estudo podem ser utilizadas para melhorar na projeção dessas mudanças.

Fonte: Universidade de Bristol
Imagem: Pixabay

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