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O declínio da população mundial de insetos

A população global de insetos está diminuindo de tamanho. Estudando o declínio em diversas áreas da Alemanha, um grupo de cientistas holandeses, alemães e do Reino Unido verificaram uma retração sazonal de 76% na biomassa de insetos voadores. A diminuição na quantidade de insetos não pode ser explicada somente pelas mudanças climáticas ou pelas alterações no uso e ocupação dos solos e dos habitats, dizem os cientistas.

A perda de diversidade e abundância de insetos pode trazer efeitos negativos para os ecossistemas. O estudo publicado pelos cientistas cita, por exemplo, que cerca de 80% das plantas dependem de insetos para polinização, enquanto 60% das aves dependem tem nos insetos sua fonte de alimento. Dados recentes da literatura científica apontam para um padrão geral de declínio na população de insetos. 

Para avaliar essa tendência com maior profundidade, os cientistas analisaram a biomassa total de insetos voadores no período compreendido entre 1989 e 2016. As coletas de insetos ocorreu em 96 pontos localizados em áreas de proteção ambiental da Alemanha. Os pontos também se encontravam próximos a paisagens dominadas pelas atividades humanas, como fazendas.

Usando armadilhas específicas para os insetos, o estudo realizou amostras anuais da biomassa total. Não havia dados históricos disponíveis sobre as tendências relativas à biomassa de insetos. O estudo deu o primeiro passo para preencher essa lacuna, levantando informações fundamentais para a conservação da biodiversidade e da saúde dos ecossistemas.

Os resultados detectaram uma redução abrupta da biomassa média de insetos voadores, correspondendo a 76% ao longo dos 27 anos de duração do estudo. A redução foi ainda mais significativa no verão, quando a biomassa média caiu em até 82%. Os resultados foram maiores do que uma estimativa realizada anteriormente, pela qual o declínio seria de 58% na abundância global de vertebrados ao longo de um período de 42 anos até 2012.

Considerando outras investigações a respeito da redução da quantidade de grupos de insetos específicos, como borboletas, abelhas selvagens e mariposas, os cientistas sugerem que se verifica uma perda severa de biomassa total da comunidade de insetos voadores. A comunidade de insetos voadores estaria sendo dizimada nas últimas décadas. 

Há dois principais suspeitos para o declínio da população de insetos, afirmam os cientistas. O primeiro deles é a alteração dos habitats. O estudo avaliou as mudanças na composição e nas características das espécies de plantas em torno dos locais de coleta dos insetos. Ao mesmo tempo, mudanças no uso e ocupação do solo também foram consideradas, através da análise de fotografias aéreas.

Todavia, a queda dramática na biomassa de insetos foi independentemente do tipo de habitat ou da configuração da paisagem. Os cientistas procuraram por sinais no segundo suspeito, as mudanças climáticas. Ao observarem algumas variáveis nas áreas de estudo, não detectaram um fator que interferisse significativamente sobre a comunidade de insetos.

O estudo não considerou exaustivamente todos os eventos climáticos que potencialmente interferem com a biomassa de insetos, como secas prolongadas ou a diminuição da insolação solar. Os cientistas especulam que tais fatores podem ter contribuído para o declínio. Outro fator sugerido pelo estudo diz respeito à intensificação agrícola, incluindo, por exemplo, o uso de pesticidas e fertilizantes. A atividade agrícola pode ter agravado a tendência de declínio.

Mesmo com a localização dos pontos de coleta em áreas protegidas, destinadas à preservação da biodiversidade e das funções dos ecossistemas, observou-se uma grave redução da biomassa dos insetos. O estudo alerta para o caráter alarmante dos resultados, em especial por causa dos efeitos em cascata sobre a saúde dos ecossistemas. Há urgência em descobrir as causas da diminuição da população de insetos, extensão geográfica e possíveis consequências.

Mais informações: More than 75 percent decline over 27 years in total flying insect biomass in protected areas
Imagem: Freeimages

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