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O ciclo de carbono sob revisão

A ciência pode estar errada a respeito do ciclo de carbono, apontou estudo de um grupo internacional de cientistas. Os fluxos do ciclo do carbono considerados atualmente pela teoria podem superestimar a absorção por alguns componentes do sistema climático.

Calcular os fluxos do ciclo de carbono é uma tarefa extremamente difícil. Ao mesmo tempo, fundamental para identificar a quantidade de carbono sequestrado pelos oceanos e rios e pelos ecossistemas terrestres. É uma questão crítica na compreensão de como o sistema climático responderá às emissões de gases de efeito estufa pelas atividades humanas.

Segundo o estudo, as medições da concentração atmosférica de dióxido de carbono – CO2– constituem o ponto de partida. A diferença entre a quantidade de carbono acumulada na atmosfera e a quantidade de carbono emitida pelas atividades humanas corresponde ao que foi absorvido por oceanos e rios e por ecossistemas terrestres.

Não existem observações diretas detalhadas da quantidade de carbono sequestrada pelos ecossistemas terrestres. Dessa forma, estima-se primeiro a quantidade de carbono sequestrado pelos oceanos e rios para, a partir daí, deduzir quanto foi sequestrado pelos ecossistemas terrestres.

As incertezas ligadas aos fluxos de carbono nos oceanos e rios, contudo, introduziam incertezas quanto à quantidade de carbono sequestrada pelos ecossistemas terrestres.

Os cientistas utilizaram observações de campo e modelos computacionais para delimitar melhor os fluxos de carbono oceânicos e fluviais. Eles identificaram que, nos oceanos, o transporte de carbono ocorre da mesma forma que o transporte de calor.

Dessa forma, a partir da observação das correntes e processos oceânicos de transporte de calor, foi possível obter maior precisão a respeito da quantidade de carbono sequestrado.

Os resultados do estudo sugerem que o transporte de carbono pelos rios estava significativamente subestimado, bem como a transferência de carbono no oceano entre os hemisférios norte e sul. As implicações para o ciclo de carbono seriam enormes: envolverá redistribuir até 40% do carbono sequestrado entre os ecossistemas terrestres do norte, do sul e das zonas tropicais.

Apesar de importantes sumidouros de carbono, o Oceano Antártico e as florestas do hemisfério norte absorveriam uma quantidade menor do que a suposta anteriormente. De modo geral, os ecossistemas terrestres do hemisfério norte representariam um sumidouro bem menor de carbono.

Os cientistas esperam que o estudo auxilie na melhoria dos modelos climáticos, particularmente dos oceanos. Isso contribuirá para as projeções dos impactos de cenários futuros de aquecimento global sobre o ciclo de carbono.

Fonte: Universidade de Princeton
Imagem: Freeimages

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