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O carbono custa caro

O custo social do carbono é bem maior do que o suposto anteriormente, sugeriu estudo de pesquisadores da Itália e dos Estados Unidos. O custo social do carbono – CSC – é um indicador monetário utilizado para medir os danos econômicos futuros causados pelas emissões humanas de gases de efeito estufa.

A continuidade das emissões provocará um aquecimento global cada vez mais intenso. Quanto maior o aquecimento, as projeções dos modelos climáticos apontam maiores mudanças climáticas, com impactos sobre as atividades humanas. 

O indicador é utilizado no contexto de políticas climáticas, principalmente como referência para a implementação de uma taxa sobre o carbono. Um exemplo vem da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos – EPA, na sigla em inglês. Os cálculos da agência sugerem que o CSC mundial varie entre US$ 12 a US$ 62 por tonelada métrica de dióxido de carbono – CO2 – emitida até 2020.

Mas, de acordo com o estudo, uma das limitações da estimativa global do CSC é que ela não retrata adequadamente a variabilidade regional e suas incertezas. Assim, a média global poderia subestimar os impactos econômicos futuros. A fim de produzir um indicador mais detalhado, separado para cada país, os pesquisadores combinaram modelos climáticos, estimativas de danos econômicos e projeções socioeconômicas.

Com isso, simularam a magnitude e o padrão geográfico dos impactos do aquecimento global, considernado diversos cenários de emissões futuras de gases de efeito estufa. A partir daí, quantificaram o CSC das emissões até o ano de 2020 para quase 200 países.

Mapa apresenta o custo social do carbono – CSC – estimado para cada país. Fonte: figura 2 do estudo.

Para a média global, o estudo estimou que o CSC varia entre US$ 180 a US$ 800 por tonelada de emissões de carbono, um número bem maior do que o anterior. Os países localizados majoritariamente em zonas temperadas de alta latitudes apresentaram menores resultados.

A Índia liderou a lista dos países que seriam mais afetados por danos econômicos originados pelas mudanças climáticas. Em seguida vieram os Estados Unidos, a Arábia Saudita e a China. Angola, Brasil e México também se mostraram bastante vulneráveis a futuros impactos.

No grupo das 20 maiores economias do mundo, o gráfico mostra os ganhadores (em azul) e os perdedores (em vermelho) com as mudanças climáticas. Fonte: figura 4 do estudo.

Os resultados expõem a contradição dos Estados Unidos em relação à política climática. Apesar de ser um dos países potencialmente mais afetados no futuro, no momento ele adota uma postura de abondono de ações de mitigação e adaptação.

Por sua vez, a União Européia, no qual o estudo indicou que haverá menores impactos, sustenta na governança internacional uma liderança quanto à limitação do aquecimento global.

Os cientistas esperam que estimativas dos impactos das mudanças climáticas nos diferentes países, como no caso do CSC, contribua para a efetivação de tratados internacionais do clima. Se cada nação compreender melhor os impactos a que estará submetida no futuro, e também que agir agora constitui a melhor alternativa, talvez fiquem mais suscetíveis à cooperarem.

Fonte: Universidade de San Diego
Imagem: Freeimages

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