Press "Enter" to skip to content

O bloco das mudanças climáticas

O acordo climático de Paris representou uma mudança significativa na abordagem da mitigação do aquecimento global, explica artigo do jornal científico Climatic Change. Quando da elaboração da Convenção das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas – UNFCCC, na sigla em inglês -, e posteriormente na formalização do Protocolo de Quioto, a abordagem consistia no estabelecimento de prazos e metas quantitativas de corte de emissões de gases de efeito estufa apenas para os países desenvolvidos. No contexto da economia global, considerava-se o que era necessário fazer para se atingir a meta.

Mas alcançar um acordo internacional efetivo esbarrava em diversas dificuldades. A solução foi mudar as bases da política climática internacional. A partir daí foi cimentado o acordo climático de Paris, considerado como o melhor resultado possível dada as circunstâncias. Ele inclui planos nacionais de redução de emissões de caráter voluntário, abrangendo igualmente países desenvolvidos e em desenvolvimento. A ação conjunta foi desagregada, e cada país apresentou planos individuais tendo em vista o que pode ou pretende realizar. Consequentemente, o acordo não é ambicioso o suficiente para limitar o aquecimento global a no máximo 2°C acima do nível pré-industrial.

Dessa forma, outros atores precisam complementar as ações de mitigação. Reunidos em blocos, em uma estratégia de baixo para cima, uma gama de participantes, como o setor privado, organizações não governamentais e governos locais e regionais, cooperam na implementação de ações de menor escala em setores ou áreas geográficas específicas. O artigo introduz as análises da literatura científica sobre como incentivar a construção e operacionalização desses blocos, de forma a reforçar os resultados do acordo climático de Paris.

Existem três formas de organizar os blocos. A primeira delas é em forma de clubes transnacionais, nos quais os membros obtém benefícios económicos ou outros ao cooperar para a redução das emissões. Os benefícios podem estar relacionados a custos de energia, segurança energética, ou a inovações tecnológicas. Os participantes incluem estados, organizações internacionais e o setor privado.

A segunda forma de organização de blocos é através do acoplamento. Ela se aplica às organizações transnacionais cuja missão não está relacionada com o clima. A estratégia consiste em acoplar à atuação dessas organizações algumas ações que reforcem sua missão ao mesmo tempo em que contribuem para a redução das emissões. Um exemplo dessa forma é o caso de organizações de fomento do desenvolvimento bilateral ou multilateral que passam a promover energia renovável em áreas rurais ou a agricultura sustentável e de baixas emissões.

Finalmente, a terceira forma identificada pelo artigo é por meio de atores com influência sobre o mercado. Podem incluir a autoridades governamentais ou empresas comerciais com uma posição econômica dominante em mercados específicos. O aspecto comum é a capacidade de determinar ou influenciar as normas reguladoras que regem um determinado setor econômico. O ator pode ou não estar relacionado à questão climática, e pode constituir uma única empresa ou um grupo de pequenas empresas. Obtém-se uma redução das emissões quando os atores influentes determinam uma direção tecnológica favorável.

A construção desses blocos ainda não ocorre na escala necessária para se alcançar a meta do acordo climático de Paris. Segundo o artigo, eles são imprescindíveis e devem estar interligados e reforçar as metas nacionais de redução de gases de efeito estufa de cada país. Limitar o aquecimento depende desse tipo de iniciativa.

Mais informações: Building blocks: a strategy for near-term action within the new global climate framework
Imagem: Pixabay

One Comment

Comments are closed, but <a href="https://cienciaeclima.com.br/o-bloco-das-mudancas-climaticas/trackback/" title="Trackback URL for this post">trackbacks</a> and pingbacks are open.

%d blogueiros gostam disto: