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O Atlântico e o fim da era do gelo

As mudanças registradas no sistema climático durante o fim da última era do gelo, cerca de 20 mil anos atrás, estão associadas às alterações na circulação meridional do oceano Atlântico, identificou estudo de um grupo internacional de cientistas.

O estudo revisou o conjunto de dados existentes a respeito do clima dessa época. Esses dados foram obtidos a partir da análise química de sedimentos marinhos retirados do fundo do mar em diversos pontos do Atlântico. Ao conjunto de informações previamente existente, os cientistas adicionaram outras quatro séries de dados, obtidas de sedimentos coletados por eles em novos locais.

Quando chegou ao fim a última glaciação, o sistema climático terrestre atravessou grandes mudanças no climáticas, nas concentrações atmosféricas de dióxido de carbono – CO2 – e no  volume de gelo presente na superfície. Incluiu, entre outros, o derretimento da calota polar de Laurentide, que ocupava as áreas do Canadá e do norte dos Estados Unidos.

Segundo os cientistas, uma das hipóteses da ciência sugere que alterações na circulação meridional das águas na bacia do oceano Atlântico tenham contribuído para as mudanças do sistema climático. O problema, contudo, vinha sendo encontrar evidências nos registros paleoclimáticos que confirmassem essa hipótese.

Ao integrar o conjunto de dados existentes, o estudo produziu um quadro geral da circulação do Atlântico, indicando que alterações em seu comportamento coincidiram no tempo com transições no sistema climático ocorridas ao longo da deglaciação.

A análise identificou que, no início da deglaciação, entre 19 e 16,5 mil anos atrás, observou-se uma desaceleração precoce da circulação meridional no Atlântico. A desaceleração esteve associada com o derretimento do gelo da Eurásia.

Após essa primeira etapa, o enfraquecimento da circulação meridional persistiu por pelo menos outro milênio, entre 16,5 e 15 mil anos atrás. Nesse período, deu-se o derretimento da calota polar de Laurentide, lançando grande quantidade de icebergs no mar norte do Atlântico.

Segundo o estudo, as alteração na circulação meridional do Atlântico funcionou como um feedback positivo, contribuindo para a continuidade da perda de gelo e para o aquecimento global.

Isso é importante, dizem os pesquisadores, dado o degelo acelerado do degelo acelerado nas altas latitudes do norte associadas à mudança climática.

Os cientistas esperam que o estudo ajude a aprimorar as projeções dos modelos climáticos quanto às alterações futuras na circulação meridional do Atlântico e suas possíveis consequências. 

Fonte: Universidade de Bristol
Mais informações: Coherent deglacial changes in western Atlantic Ocean circulation
Imagem: PIK/ Stefan Rahmstorf – circulação termohalina do oceano global

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