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O Ártico poderá se tornar fonte de emissões

Os solos congelados do Ártico podem passar a emitir dióxido de carbono – CO2 – para a atmosfera caso o aquecimento global continue, sugere estudo de cientistas dos Estados Unidos. Atualmente inertes, estimou-se que os solos congelados da região irão se transformar em fontes emissoras entre 40 e 60 anos no futuro.

Como o próprio nome diz, os solos congelados correspondem à camada do solo que permanece congelada durante anos ou séculos. Presentes nas altas latitudes do Hemisfério Norte, eles contém material orgânico rico em carbono. Com o aquecimento global, as temperaturas na região do Ártico estão subindo, levando à degradação e ao descongelamento dos solos.

Em consequência, o material orgânico começa a se decompor. No processo de decomposição, carbono é emitido para a atmosfera na forma de CO2 e de metano – CH4.  O resultado é o aumento das concentrações atmosféricas de gases de efeito estufa.

A fim de explorar os impactos do aquecimento global nos solos congelados, os cientistas utilizaram dados sobre a temperatura dos solos no Alasca e na Sibéria. Interpretaram os dados em um modelo computacional, simulando as mudanças no ecossistema local. Entre elas, o descongelamento dos solos, a decomposição da matéria orgânica, ou o crescimento da vegetação.

A análise considerou um cenário de longuíssimo prazo, entre o ano 2000 e o ano 2300. O objetivo foi estimar quando o Ártico se converteria de área neutra em uma fonte de carbono no futuro. A região foi dividida em duas, a zona mais fria do norte e, ao sul, um cinturão mais quente circundando a zona do norte.

A simulação surpreendeu os cientistas. A zona do sul, mais quente e que no presente experimenta uma taxa mais acelerada de degradação, passaria a fonte de emissão somente no final do século XXII. Dessa forma, seria a zona ao norte, mais fria, a primeira a se tornar fonte de emissões de CO2, emitindo cerca de 5 vezes mais carbono do que a zona ao sul.

Os resultados do modelo apontaram que, à medida que o Ártico fica mais quente, a zona sul verificará um acentuado crescimento da vegetação. Por meio da fotossíntese, a nova vegetação capturaria mais carbono da atmosfera, compensando o aumento de emissões provenientes do descongelamento dos solos.

A estimativa do estudo sugere que, nos próximos 300 anos, os solos congelados do Hemisfério Norte podem emitir cerca de 10 vezes mais carbono do que todas as emissões de atividades humanas do ano de 2016. Os cientistas enfatizaram a urgência de monitorar a região e aprofundar a pesquisa a respeito de futuras alterações.

Fonte: NASA
Imagem: Flickr / Paul Duncan

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