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Novos métodos para avaliar a segurança de barragens

A segurança de barragens de geração de energia hidrelétrica, em particular daquelas mais antigas, poderá sofrer a influência de mudanças climáticas. Os riscos associados a eventos climáticos poderá se alterar no futuro, afetando a avaliação de segurança desse tipo de infraestrutura, apontou estudo de pesquisadores dos Estados Unidos.

Segundo o estudo, as sociedades humanas interferem e buscam controlar os recursos hídricos por meio da construção de barragens, grandes e pequenas, há mais de um século. Os projetos mais antigos ultrapassam os cem anos de idade.

Mas um ponto ainda pouco discutido é a segurança desse tipo de infraestrutura. Usualmente, ao planejara a implantação de uma barragem, o projetista se baseava no conhecimento existente à época dos riscos de chuvas e enchentes extremas.

Tais condições se encontram em mudança, em consequência ao aquecimento global. Observa-se um aumento da magnitude de eventos climáticos extremos nas últimas décadas. E projeções indicam que, em diversas regiões do planeta, chuvas extremas e inundações irão se tornar mais frequentes e intensas.

Com isso, extrapolariam o registro histórico para o qual as barragens foram projetadas. As modificações podem colocar em questão não somente a segurança estrutural, mas também a segurança hidrológica. A falha na operação das barragens tem o potencial de criar situações de risco significativo – por exemplo, no incremento súbito da vazão de cursos d’água.

Os pesquisadores apontaram para necessidade de reavaliar a segurança das barragens sob o clima atual e futuro. Para tanto, eles desenvolveram uma abordagem, combinando a prática tradicional da engenharia com modelos climáticos, para calcular a Precipitação Máxima Provável – PMP. O objetivo foi explorar novas alternativas de modernizar o cálculo da PMP.

Ao aplicar o novo método em barragens da região noroeste dos Estados Unidos, identificou-se a possibilidade de modificações significativas da PMP no futuro em comparação com o método tradicional. Em um cenário de altas emissões de gases de efeito estufa, estimou-se que a Precipitação Máxima Provável seria 50% maior do que a calculada atualmente.

O crescimento seria mais relevante em bacias hidrográficas úmidas ou de chuva abundante. Para o cenário de médias emissões de gases de efeito estufa, o risco de tempestades extremas cresceria em geral cerca de 20%.

O sistema climático está se aquecendo, levando a uma alteração das condições climáticas. A engenharia precisa se adaptar à essa nova realidade, a fim de promover uma melhor avaliação de segurança das barragens.

Mais informações: Chen, X. and Hossain, F., 2019. Understanding Future Safety of Dams in a Changing ClimateBulletin of the American Meteorological Society, (2019).
Imagem: Flickr/ Thaysa Meirelles

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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