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Novo presidente do Brasil é uma ameaça para a ciência

Editorial recente do jornal científico Nature afirmou que a eleição de Jair Bolsonaro para a presidência do Brasil constitui um fato negativo para o meio ambiente e para a ciência. Segundo o editorial, Bolsonaro é “um demagogo de direita com uma agenda anti-ambiental”.

A eleição aconteceu apesar dos alertas de cientistas, acadêmicos e ambientalistas brasileiros a respeito das políticas ambientais e das tendências antidemocráticas de Bolsonaro. O editorial da Nature lembrou que o candidato denegriu mulheres e grupos minoritários, ameaça tirar terras de comunidades indígenas, declara que preferiria que seu filho morresse a que fosse gay.

Para a epidemia de violência que assola o país, ele propôs como solução disponibilizar armas para as pessoas e facilitar o uso de força letal pela polícia. O candidato é um saudosista – para dizer o mínimo – da ditadura militar que correu entre 1964 e 1985. O seu vice até mesmo aventou a possibilidade de intervenção militar.

Agora eleito, pessoas dentro e fora do país tem muitas razões para se preocupar. O editorial caracteriza a vitória de Bolsonaro como “outro golpe para aqueles que valorizam o pensamento livre e a liberdade de expressão”.

Em relação ao meio ambiente, a postura do novo presidente considera o desenvolvimento a todo custo. Ele ameaçou retirar o Brasil do acordo climático de Paris. Sua vitória envia os sinais errados aos proprietários de terras e empresas, que influenciam no futuro da Amazônia e no carbono sequestrado por ela.

Apesar de surfar no sentimento anti-sistema, o editorial afirmou que Bolsonaro não representa um salvador. Ao contrário, a jovem democracia brasileira enfrentará um de seus maiores testes. Entre aqueles que devem se colocar na linha de frente, em defesa de políticas informadas pelas evidências, estará a comunidade acadêmica.

Mas a comunidade acadêmica e científica brasileira não se encontrará sozinha na oposição à agenda ambiental do novo presidente. Além de exportadores de carne bovina e soja, avessos a se associarem uma vez mais ao estigma do desmatamento, o editorial sugere que “cientistas em todos os lugares devem adicionar suas vozes aos protestos”.

A ciência no Brasil sofre com os limites orçamentários. O Ministério da Ciência e Tecnologia dispõe atualmente de um orçamento um terço menor do que em 2010. Na expressão utilizada pelo presidente da Academia Brasileira de Ciências, as limitações fazem da realização da ciência no país um ato de resistência.

“A resistência será ainda mais crucial quando Bolsonaro assumir o comando”, ressaltou o editorial da Nature.

Fonte: Nature
Imagem: Unsplash Nonsap Visuals

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