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Não vai dar praia porque não vai ter praia

Há o risco de não dar mais praia no futuro. E o motivo será porque a praia desapareceu. Estudo de um time internacional de cientistas sugeriu que quase metade das praias de areia do mundo poderão sumir até o final do século.

A causa seria uma combinação de dinâmicas da costa com o aumento do nível do mar causado pelo aquecimento global.

De acordo com o estudo, as praias arenosas ocupam mais de 30% da costa global. Elas são importantes fontes de recreação e turismo. Representam ecossistemas fundamentais para diversas espécies de plantas e animais. E auxiliam na proteção costeira, minimizando os efeitos de tempestades ou ciclones.

Mas é fácil de esquecer que as praias arenosas constituem ambientes dinâmicos e em constante mudança. Vários fatores contribuem para isso, como fenômenos meteorológicos, geológicos e a ação humana.

O estado atual das praias arenosas não é dos melhores. O estudo aponta que uma quantidade substancial da costa arenosa do mundo está se deteriorando. Em geral, elas resistem à influência de ondas, ventos ou marés, por meio de transformações em sua morfologia.

A ocupação humana da costa pode frear essa capacidade natural. A urbanização costeira e outras construções limitam a capacidade natural de readequação ou recuperação da costa a processos erosivos.

Elas também diminuem o volume de sedimentos que naturalmente alimentaria as praias arenosas. Até mesmo intevenções em rios, modificando o transporte de sedimentos para o mar, podem ter influência sobre a erosão costeira.

As mudanças climáticas, por meio do aumento do nível do mar, ou da maior frequência e intensidade de tempestades, poderá agravar essa tendência.

Para avaliar cenários futuros de evolução das praias arenosas em todo o mundo, os cientistas reuniram 35 anos de observações costeiras por satélite. Através de modelos climáticos, exploraram projeções do aumento do nível do mar e de modificações de tempestades até o final do século. A partir daí, estimaram a erosão costeira global resultante.

Os resultados alertaram para a vulnerabilidade das costas. Em um cenário sem mitigação do aquecimento global e sem medidas de adaptação, o estudo estimou que quase metade das praias de areia do mundo poderá desaparecer até o fim do século.

Grande parte das áreas vulneráveis fica localizada em regiões densamente povoadas. Dessa forma, além da perda de ecossistemas, o cenário mais pessimista implicaria em graves perdas socioeconômicas. Em especial para locais dependentes do turismo e em nações insulares.

As projeções apontaram que o aumento do nível do mar se tornará no futuro breve o fator principal na dinâmica erosiva das praias arenosas. Todavia, em certas regiões, a tendência poderá ser anulada pelo afluxo de sedimentos para a costa. É o caso, por exemplo, da região costeira da Amazônia.

O impacto sobre as praias variou significativamente em função do cenário. Naquele de baixas emissões de gases de efeito estufa, no qual se limita o aquecimento global, 40% das perdas seriam evitadas.

Em todos os cenários, medidas de adaptação terão de ser implementadas para lidar com a erosão das praias de areia. Em especial, para proteger a infraestrutura, residências e meios de subsistência atuais.

Fonte: EU Science Hub
Mais informações: Vousdoukas, M.I., Ranasinghe, R., Mentaschi, L. et al. Sandy coastlines under threat of erosion. Nat. Clim. Chang. 10, 260–263 (2020).
Imagem: Unsplash/ Pedro Menezes

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