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Mudar o transporte de cargas para reduzir as emissões

A maioria dos países experimenta um forte crescimento no transporte de cargas por meio do sistema rodoviário em detrimento do sistema ferroviário, identificou estudo de pesquisadores de uma universidade dos Estados Unidos. Mas limitar o aquecimento global exigirá reverter essa tendência, concentrando o transporte de cargas nos modos ferroviário ou hídrico.

A quantidade global de emissões de gases de efeito estufa pelo setor de transportes tem aumentado. A queima de combustíveis fósseis pelo setor constitui a fonte de 22% das emissões totais de dióxido de carbono – CO2 – relacionadas com a energia.

Estimativa da Agência Internacional da Energia – AIE – aponta que 7% das emissões globais anuais de CO2 foram provocadas pelo transporte rodoviário. Todavia, segundo o estudo, tem havido pouca pesquisa a respeito das alternativas de descarbonização do transporte de carga pelas rodovias, e também poucas políticas públicas.

Os pesquisadores investigaram o frete rodoviário em diversos países, explorando o potencial de mudança do sistema modal como uma estratégia de redução das emissões. Para tanto, eles criaram um banco de dados da atividade de frete em 75 países onde existiam dados disponíveis, compreendendo o período entre 2000 e 2017.

Mapa com a divisão modais de rodovias e ferrovias globalmente. O gradiente de cores indica a fração de transporte ferroviário em relação ao transporte rodoviário. Fonte: figura 3 do estudo.

Identificou-se que a divisão modal média global foi 61% rodoviária e 39 % ferroviária no período analisado. Com exceção de países como a Rússia, a Austrália e o Canadá, onde predomina o transporte ferroviário, em geral a principal alternativa para o transporte de cargas eram as rodovias.

Países com grandes áreas territoriais tendiam a apresentar alta participação do sistema ferroviário no transporte de cargas. Mas a China e alguns países da América do Sul, como o Brasil, representaram exceções, com ênfase no sistema rodoviário.

Observando o volume de frete ao longo do tempo, o estudo detectou que somente alguns países europeus e o Japão experimentaram uma queda geral na atividade de frete terrestre. A maioria dos países registraram crescimento anual, sendo muito mais elevado para o modo rodoviários do que o ferroviário.

A preferência pela sistema modal de transporte também se refletiu nos investimentos em infraestrutura. Enquanto a malha rodoviária mundial cresceu significativamente – a China quase triplicou a extensão das estradas pavimentadas – a extensão global dos trilhos ferroviários diminuiu entre 2000 e 2009.

A profunda descarbonização do setor de transporte terrestre de cargas só pode ser alcançada pela combinação da transferência modal com várias outras estratégias, como a eficiência energética, a mudança para combustíveis com emissões de carbono baixas ou nulas e a melhoria da eficiência operacional.

O estudo concluiu que reduções econômicas de emissões de gases de efeito estufa, mesmo que disponíveis, podem não levar às reduções necessárias nos mercados atuais. Será indispensável a adoção de políticas públicas direcionadas para a mitigação, incluindo penalidades para agentes emissores.

Esse tipo de política, no entanto, tem sido amplamente subutilizada. Outro problema identificado pelos pesquisadores foi a falta de dados padronizados e com qualidade a respeito do setor de frete.

Eles recomendaram mais pesquisa para descarbonizar o setor de transporte de mercadorias. Deve-se buscar tanto melhorias na eficiência dos modos individuais quanto por a mudança modal por meio de novas infraestruturas físicas e institucionais.  

Mais informações: Decarbonizing intraregional freight systems with a focus on modal shift
Imagem: Unsplash/ Benjamín Gremler

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