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Mudanças no Ártico afetam o jet stream

As mudanças climáticas do Ártico tem repercussão em outras regiões do hemisfério norte do planeta. Estudo de um grupo de cientistas de universidades da Alemanha, dos Estados Unidos e do Japão identificou como as alterações no Ártico modificam a corrente de ventos do jet stream.

O jet stream ocorre a uma altitude de 10 quilômetros sobre as latitudes médias do hemisfério norte. Os ventos correm constantemente na direção oeste para leste, podendo alcançar velocidades de até 500 quilômetros por hora. A força da corrente se deve ao gradiente térmico – a diferença da temperatura – entre o pólo e o equador.

Essa corrente atmosférica cumpre um papel fundamental na composição de fenômenos meteorológicos no hemisfério norte. Por exemplo, na formação de frentes frias, tempestades ou ondas de calor.

Corrente de ventos do jet stream
A animação mostra a corrente de ventos do jet stream (cores vermelha e amarela). Os altos e baixas caracterizam a ondulação da corrente.

Todavia, segundo o estudo, nas últimas décadas o aquecimento do Ártico aconteceu de modo bem mais acelerado do que no restante do mundo. O aumento da temperatura média no inverno foi mais de duas vezes maior do que a registrada em zonas de latitudes médias.

O gradiente térmico – a diferença de temperatura – entre o pólo e o equador diminuiu. Em resposta ao aquecimento, verificou-se também um rápido declínio da extensão e da espessura do gelo marinho ártico. A quantidade de calor absorvido pelo oceano subiu.

O resultado foi uma modificação das correntes atmosféricas e da interação entre o oceano e atmosfera no Ártico. De uma trajetória relativamente paralela ao equador, a corrente atmosférica do jet stream passou a ficar mais sinuosa, caracterizada por grandes ondas que correm entre norte e sul.

Essa nova configuração traz consigo fenômenos meteorológicos pouco comuns para as regiões de latitudes médias, com intrusões de frentes frias ou quentes e secas. Recentemente, no final de janeiro de 2019, a ondulação da corrente do jet stream levou frio extremo para o oeste dos Estados Unidos. Ondas de calor e seca atingiram a Europa em 2003, 2006, 2015 e 2018.

O objetivo do estudo foi tentar reproduzir, em um modelo climático, os processos e dinâmicas por trás da alteração da corrente atmosférica do jet stream. Para tanto, os cientistas utilizaram inteligência artificial para representar um complexo e interativo processo químico entre a estratosfera e a cama de ozônio.

As mudanças climáticas do Ártico, em especial a perda de gelo marinho, provocam um aquecimento da estratosfera no pólo. Essa tendência se amplifica sob a influência da camada de ozônio. Ao reduzir o gradiente térmico entre o pólo e o equador, a corrente do jet stream se enfraquece, tornando-se menos retilínea.

As simulações do modelo tiveram sucesso em reproduzir as condições mais sinuosas da corrente atmosférica, semelhante ao que vem se observando nos últimos anos. De acordo com os cientistas, as simulações confirmam o vínculo entre a perda de gelo marinho do Ártico e o comportamento do jet stream.

Eles apontaram que, caso a tendência de diminuição do gelo marinho continue, as oscilação da corrente do jet stream irão subir ainda mais de frequência e intensidade no futuro. E os eventos climáticos extremos aumentarão na latitudes médias do hemisfério norte.

Fonte: Instituto Alfred Wegener
Mais informações: Erik Romanowsky, Dörthe Handorf, Ralf Jaiser, Ingo Wohltmann, Wolfgang Dorn, Jinro Ukita, Judah Cohen, Klaus Dethloff, and Markus Rex: The role of stratospheric ozone for Arctic-midlatitude linkages, Scientific Reports.
Imagem: Flickr/ Amaury Laporte

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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