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Mudanças maiores do que as projetadas pelos modelos

Os modelos climáticos e suas projeções podem subestimar o aquecimento global nos próximos séculos, alertou estudo de um time internacional de pesquisadores. No longo prazo, tanto a temperatura média global quanto o nível médio do mar podem subir bem mais do que o projetado pelos modelos.

O estudo se baseou na análise de registros paleoclimáticos de três episódios de aquecimento global registrados no passado terrestre. Em todos os três, a temperatura média global esteve entre 0,5°C e 2°C mais alta do que os níveis pré-industriais.

O primeiro episódio foi o máximo térmico do Holoceno, ocorrido entre 5.000 e 9.000 anos atrás. O segundo foi o último período interglacial, entre 129.000 e 116.000 anos atrás, e o terceiro, o período quente do Plioceno médio, entre 3,3 e 3 milhões de anos atrás.

Cada um desses episódios de aquecimento se deu em função de diferentes fatores, um pouco distintos do que acontece no presente. O máximo térmico do Holoceno e o último período interglacial ocorreram sob a influência dos ciclos de Milankovitch.

Por sua vez, o período quente do Plioceno médio foi causado pela elevação das concentrações atmosféricas de dióxido de carbono – CO2 – para níveis entre 350 e 450 partes por milhão – ppm. Mas a velocidade do aquecimento foi significativamente menor do que a atual.

As emissões de gases de efeito estufa pelas atividades humanas elevam os níveis do CO2 atmosférico em taxas sem precedentes no passado geológico da Terra. Ou seja, nunca o planeta se aqueceu tão rapidamente.

Segundo o estudo, esses períodos anteriores de aquecimento podem fornecer informações sobre a resposta futura do sistema climático ao aquecimento, bem como sobre potenciais impactos nos ecossistemas. Eles oferecem a oportunidade de avaliar escalas de tempo centenárias a milenares, que muitas vezes não são cobertas por simulações de modelos climáticos.

Foram utilizados um conjunto de registros, incluindo, entre outros, medições de núcleos de gelo, camadas de sedimentos, registros fósseis e datações usando isótopos atômicos. Ao revisar esses dados, os pesquisadores reproduziram as condições ambientais e do sistema climático observadas em cada um dos períodos estudado.

O estudo identificou que nos três períodos estudados, profundas modificações se registraram ao redor do planeta. As calotas polares da Antártica e da Groenlândia experimentaram uma forte retração, levando ao aumento do nível do mar em vários metros.

A distribuição do plâncton marinho sofreu uma grande alteração, provocando uma reorganização de ecossistemas marinhos inteiros. O deserto do Saara se tornou mais verde, enquanto que espécies florestais e da tundra se deslocaram na direção dos pólos. Trechos de florestas tropicais se transformaram em savana.

As evidências indicaram que um aumento da temperatura média global de potencialmente apenas 1,5°C acima dos níveis pré-industrias, conforme estabelecido no acordo climático de Paris, podem implicar em transformações dramáticas do planeta.

Os pesquisadores sugeriram que o sistema climático apresentaria vários mecanismos amplificadores do aquecimento. Concentrados em realizar projeções de curto prazo (do ponto de vista geológico), os modelos climático não representariam bem esses mecanismos.

Para cenários de baixas emissões e de curto prazo – por exemplo, até 2100 -, os modelos climáticos parecem ser confiáveis. Mas eles potencialmente subestimam o aquecimento futuro e seus impactos, na projeção de cenários dos próximos séculos ou milênios.

Caso as emissões não sejam reduzidas com urgência, grandes alterações no planeta devem ocorrer ao longo deste e dos próximos séculos, alertaram os pesquisadores. Mesmo com o cumprimento das metas do acordo de Paris.

Fonte: UNSW
Imagem: Unsplash/ Sergey Kuznetsov

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