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Variação da erosão do solo no Brasil por influência das mudanças climáticas

A erosão provocada pelas chuvas pode aumentar em 109% no período 2007-2040 nas regiões Nordeste e Sul do Brasil, ao mesmo tempo em que reduzirá em até 71% nas regiões Sudeste, Centro e Noroeste, aponta estudo publicado por um grupo internacional de pesquisadores, com a participação da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul.

O principal agente que interfere na erosão dos solos é a chuva, tanto em função do impacto das gotas d’água, quanto pelo escoamento superficial das águas quando a capacidade de infiltração dos solos é ultrapassada. A intensidade e o volume total das perdas por erosão são influenciados pela intensidade, a duração e a distribuição das chuvas.

As mudanças climáticas podem interferir nesse processo ao alterar o padrão das chuvas. De acordo com o estudo, com o aumento da temperatura media, aumenta também a capacidade da atmosfera de reter vapor d’água – cerca de 7% mais para cada grau Celsius. A modificação do nível de vapor d’água tem influencia sobre a circulação atmosférica, com consequências sobre a intensidade e frequência de chuvas intensas.

Avaliar o cenário futuro das mudanças climáticas se torna ainda mais crucial no contexto brasileiro. Como ressalta o estudo, a agropecuária é o principal setor econômico brasileiro, e o país um dos maiores produtores e exportadores mundiais de grãos e proteína animal. Em 2016, o setor respondeu por 23% do PIB do Brasil, e por 50% das exportações. E a tendência a longo prazo é de expansão, acompanhando a demanda de uma população mundial crescente.

Para avaliar a influência das mudanças climáticas sobre a erosão provocada pelas chuvas no Brasil, os pesquisadores utilizaram dados de precipitação do período 1980-2013 e as projeções de precipitação de dois modelos climáticos diferentes para o período 2007-2099, considerando um cenário de médias e outro de altas emissões de gases de efeito estufa. A partir dos dados, o estudo calculou o potencial erosivo atual das diversas regiões do país, e como o potencial se alteraria pelas mudanças climáticas.

Os resultados (mapa abaixo) sugerem que as regiões Nordeste, Sudeste e Sul serão as mais afetadas. Para um dos modelos climáticos, o potencial erosivo diminuirá no Centro-Oeste (-7% a -18%), Norte (-7% a -20%), Nordeste (-1% a -25%) e Sudeste (-20% a -41%). O outro modelo também projetou diminuição nas mesmas regiões, porém menos significativas.

 

Brazil rainfall erosion.png
Variação do potencial erosivo das chuvas em relação ao presente. A cor vermelha representa diminuição e a azul, aumento. Cada coluna representa um dos períodos avaliados, 2007–2040, 2041–2070 e 2071–2099. As linhas trazem as projeções do primeiro modelo climático para o cenário de médias (a) e altas emissões (b), e do Segundo modelo para os mesmos cenários (c) e (d). Fonte: figura 3 do estudo

 

Dentro de cada uma das regiões, ocorreu grande variabilidade espacial, com pontos tanto de aumento e como de diminuição do potencial erosivo da chuvas. Os resultados do estudo consistem de valores médios regionais e, por isso, não retratam essa diversidade. Indicam as tendências esperadas ou potenciais. Os pesquisadores ressaltam a necessidade de governo, instituições, produtores e outros atores se prepararem para as mudanças que possam ocorrer.

Mais informações: Projected climate change impacts in rainfall erosivity over Brazil
Imagem: Freeimages

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