As mudanças climáticas e os riscos de um futuro incerto

Políticas de adaptação às mudanças climáticas podem subestimar os riscos associados às tempestades extremas, afirma estudo de cientistas dos Estados Unidos. A probabilidade de detectar alterações substanciais na frequência e magnitude desse tipo de evento é baixa, comprometendo uma avaliação apropriada dos riscos.

Segundo o estudo, em diversas regiões metropolitanas do país, as administrações municipais planejam e estão implementando obras de infraestrutura para lidar com os riscos ligados às tempestades. Todavia, detectar alterações na frequência ou magnitude de eventos extremos é tarefa reconhecidamente difícil.

Inúmeras variáveis climáticas influenciam na formação de tempestades extremas, complicando a possibilidade de detecção de tendências. Uma das propostas para lidar com a incerteza é utilizar estratégias de adaptação dinâmica, que se ajustam ao longo do tempo conforme novas informações se tornem disponíveis. 

Mas a abordagem dinâmica tem limitações, diz o estudo. Entre elas estão, por exemplo, a longa vida útil da infraestrutura de proteção instalada, ou a lacuna em obter informações sobre mudanças nas características das tempestades. Os pesquisadores exploraram o último ponto: qual o tempo necessário para detectar tendências em tempestades extremas?

O foco do estudo foram as tempestades ligadas a ciclones tropicais e extratropicais. Esse tipo de evento é o responsável pela maior parte dos danos causados por eventos climáticos nos Estados Unidos. Utilizando os dados históricos do nível do mar da cidade de Nova Iorque, os pesquisadores realizaram várias simulações em um modelo computacional de alterações de longo prazo nas características das tempestades extremas.

As série de dados produzidas pelas simulações foi então estatísticamente avaliada pelos pesquisadores. O resultado mostra que a identificação de tendências de longo prazo nas séries de dados dependia de uma grande extensão de tempo. Além disso, a análise estatística dos dados e tendências estaria cercado de incertezas, que precisam ser devidamente avaliadas. 

O estudo conclui que a avaliação de riscos pode sofrer viés e ser excessivamente confiante, subestimando os riscos futuros. A limitação e as incertezas devem integrar as estimativas de risco, sob a pena de se elaborar estratégias de adaptação inadequadas.

Mais informações: Understanding the detectability of potential changes to the 100-year peak storm surge
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