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Registros do aquecimento global na história terrestre

Estudo de fósseis de plantas reforça a ligação entre concentrações atmosféricas de dióxido de carbono – CO2 – e a temperatura média global. Realizado por um time internacional de cientistas, o estudo desfaz o argumento de pesquisas anteriores, sugerindo uma desconexão entre a temperatura e os níveis de CO2 há cerca de 22 milhões de anos atrás. 

O estudo da história do sistema climático terrestre se dá através de rochas sedimentares. Nelas ficam gravadas variações nas condições climáticas e na química da atmosfera, como, por exemplo, através de fósseis de plantas e animais. Segundo os cientistas, a partir da análise das rochas se verificou uma tendência geral entre os gases de efeito estufa e a temperatura global. Todavia, ainda persistem lacunas para certos momentos do passado geológico. 

Um desses era a transição do período Oligoceno para o Mioceno, há 22 milhões de anos atrás. Quatro pesquisas anteriores, baseadas em três indicadores, traziam resultados contra-intuitivos que apontavam para a não vinculação entre as temperaturas médias globais e as concentrações atmosféricas de COno período. O problema, argumentam os cientistas, eram as inconsistências do método ou das técnicas adotadas nessas pesquisas.

A descoberta de folhas fósseis de plantas pré-históricas bem preservadas na Etiópia, África Oriental, permitiu a análise rigorosa da transição do período Oligoceno para o Mioceno, entre 22 e 27 milhões de anos atrás. Folhas fósseis são utilizadas pela ciência para investigar o CO2 atmosférico. Variações em sua concentração levam a adaptações anatômicas e fisiológicas das plantas, como a freqüência e o tamanho dos estômatos – os poros na superfície de uma folha através da qual o carbono passa.

Ao medir esses atributos dos fósseis encontrados, o estudo pode reconstruir os níveis atmosféricos de CO2 no período. Os resultados indicaram que há 27 milhões de anos, durante o fim do Oligoceno, as concentrações eram de aproximadamente 390 partes por milhão – ppm. Nos fósseis datados de 22 milhões de anos, do começo do Mioceno, quando se registrou um aumento da temperatura global, os resultados mostraram níveis mais altos de CO2, de cerca de 870 ppm.

O estudo confirmou a relação entre o dióxido de carbono e a temperatura. A quantidade de mudança registrada no período também ficou próxima àquela estimada pelos modelos climático para o futuro próximo, em função do aumento da concentração de gases de efeito estufa.

Fonte: SMU Research News
Mais informações: Settling the issue of “decoupling” between atmospheric carbon dioxide and global temperature: [CO2]atm reconstructions across the warming Paleogene-Neogene divide
Imagem: Figura 2 do estudo – medição de dimensão de estomatas

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