O planeta foi menos sensível ao aumento do CO2 no passado

O sistema climático era menos sensível à variações atmosféricas de dióxido de carbono – CO2 – no passado, afirma estudo de um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos. A aproximadamente 5 a 13 milhões de anos atrás, no período conhecido como Mioceno tardio, os oceanos eram mais quentes do que no presente, enquanto o CO2 atmosférico era significativamente mais baixo.

Provocado pelo aumento da concentração atmosférica de CO2 e outros gases de efeito estufa, o aquecimento global tem elevado a temperatura dos oceanos. O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC – relata que cerca de 90% de toda a energia adicional acumulada pelo sistema climático é armazenada pelos oceanos.

Todavia, de acordo com o estudo, a resposta dos oceanos ao aumento das concentrações de CO2 nem sempre foi uniforme. Os cientistas investigaram a temperatura do oceano no passado geológico da Terra, durante o período do Mioceno tardio. Nessa época, as concentrações atmosféricas de CO2 estavam entre 200 e 350 partes por milhão – ppm (atualmente elas passam de 400 ppm).

O estudo se baseou na análise de fósseis de fitoplâncton coletados em sedimentos do fundo do oceano Pacífico. Ao quantificar a proporção de um composto preservado na estrutura dos fósseis, os cientistas puderam reconstruir as temperaturas da água habitadas pelo fitoplâncton no período.

Os resultados mostraram que as temperaturas da camada superficial do oceano Pacífico no começo do Mioceno tardio, entre 12 a 13 milhões de anos atrás, eram bem maiores do que no presente. Elas foram então gradualmente diminuindo ao longo do período. Segundo os cientistas, os resultados indicam que o sistema climático experimentou uma transição, passando de um estado menos sensível aos níveis de CO2 durante o Mioceno tardio para um estado mais sensível no presente.

A análise dos fósseis também permitiu aos cientistas analisar o termoclina do oceano Pacífico. O termoclina marca o encontro da camada mais quente e superficial das águas com a camada mais fria e profunda. Foi possível detectar uma tendência de elevação do termoclina nos últimos 13 milhões de anos – a camada superficial foi se tornando mais estreita.

Tais alterações podem ter afetado a circulação das águas dos oceanos e contribuído para as maiores temperaturas das águas superficiais no Mioceno tardio, sugeriu o estudo. A causa dessa alteração seria o movimento das placas tectônicas, remodelando as diferentes bacias oceânicas, os padrões de circulação das águas e o nível do termoclina.

O estudo apresentou o primeiro levantamento de informações sobre a temperatura das águas superficiais no período. Mais pesquisa é necessária para melhor caracterizar o período, diz o estudo, e entender os fatores envolvidos na menor sensibilidade do sistema climático. 

Fonte: Universidade de São Francisco
Imagem: Pixabay