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Mudanças no clima que levam a mudanças no setor elétrico

As mudanças climáticas devem impactar o setor energético tanto pelo lado da oferta quanto pelo lado da demanda. A fim de analisar os impactos sobre a demanda, cientistas da Alemanha e dos Estados Unidos avaliaram como o futuro aumento nas temperaturas interferirá no consumo de energia na Europa. Eles identificaram que o pico diário de energia no sul da Europa poderá crescer; a demanda de energia deve migrar da região norte para a região sul do continente, sendo que o pico de consumo ocorrerá no verão e não mais no inverno.

O estudo elaborado pelos cientistas utilizou dados do consumo diário de eletricidade dos 35 países da União Européia, investigando como as mudanças climáticas impactariam a intensidade do pico de energia e os padrões gerais da demanda. Para tanto, os pesquisadores estimaram de forma estatística a relação entre consumo diário de eletricidade, pico de energia, e temperatura para cada um dos países, a partir de dados do período entre 2006 e 2012.

As projeções consideraram as tendências da população de cada país, bem como três diferentes cenários de aquecimento global, variando de altas emissões de gases de efeito estufa a baixas emissões. Como o propósito era estudar os impactos originados do clima, foram desconsiderados da avaliação outros fatores, como variações socioeconômicas – por exemplo, no crescimento econômico -, tecnológicas e ligadas à infraestrutura do setor energético. O estudo também se baseou na suposição de que, em um cenário de aumento das temperaturas, o padrão da demanda de energia em países do norte – atualmente mais frios – seguiria o padrão observado atualmente nos países do sul, mais quentes.

De acordo com o estudo, a projeção de uma redistribuição espacial do consumo de eletricidade no continente europeu, além do aumento do pico de energia no sul, implicam em investimentos para adaptação da infraestrutura de transmissão, armazenamento e geração de energia. Outro desafio para a infraestrutura do setor é a inversão da sazonalidade no pico de energia, passando do inverno para o verão.

Do ponto de vista econômico, o maior impacto esteve relacionado à mudança no pico de energia. Segundo os pesquisadores, isso se deve porque o sistema elétrico é geralmente dimensionado para atender os picos de demanda registrados durante o ano. A fim de atender à elevações súbitas do consumo, os sistemas incorporam uma capacidade instalada ociosa – um tipo de back up constituído por plantas de geração de energia. O custo operacional dessas unidades é mais caro, e elas devem ficar localizadas próximas aos centros de consumo.

Pico de energia na Europa.png
Mapa com a variação percentual na carga máxima média diária para o período de 2080-2099, tendo por base a situação atual (2006-2012). As projeções consideram o cenário de médias (a) e altas (b) emissões de gases de efeito estufa. Enquanto o pico de carga diário diminui nos países do norte da Europa (cor verde), ele aumenta nos países do Sul e da Europa Ocidental (cor vermelha). Fonte: gráfico retirado do estudo

No cenário de maior aumento das temperaturas, as projeções sugerem que os países mais afetados pela intensificação no pico de energia serão Portugal e Espanha (ver gráfico acima). Segundo os pesquisadores, a alteração nos picos de consumo poderá fazer com que o preço da energia aumente. Mas os custos podem ser compensados, desde que políticas e regulações voltadas para o setor elétrico sejam implementadas, como, por exemplo, ações de eficiência energética.

Mais informações: North-South polarization of European electricity consumption under future warming
Imagem: Pixabay