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Doenças e alterações climáticas de longo prazo

As mudanças climáticas terão impacto sobre a prevalência e a transmissão de doenças. Mas isso pode depender da duração dos fenômenos meteorológicos, afirma estudo de cientistas internacionais, e não apenas do aumento das temperaturas  ou pelas alterações climáticas.

A teoria convencional sugere que aquecimento global exerce influência direta sobre a transmissão de doenças infecciosas. Por exemplo, através do aumentando das taxas de desenvolvimento, reprodução ou sobrevivência de hospedeiros e vetores. Mas a relação entre o clima e as doenças infecciosas no passado havia sido pouco investigada, dada a baixa disponibilidade de registros.

Os cientistas superaram essa limitação ao utilizar fonte de dados da China. O país possui uma história milenar, na qual inúmeros de eventos significativos de caráter biológico, climático ou social ficaram gravados em documentos. Por isso oferece uma condição única para estudar as conseqüências biológicas das mudanças climáticas.

Um dos documentos consultados foi o Compêndio Chinês de Registros Meteorológicos. Resultado de anos de trabalho de pesquisadores chineses, o Compêndio reúne os registros meteorológicos presentes em diversos documentos históricos. Organizado de forma cronológica, ele descreve fenômenos meteorológicos e climáticos registrados no país ao longo de 3.000 anos, do século 13 antes de Cristo até 1911.

A partir das fontes históricas, o estudo reconstruiu episódios de epidemia na China ao longo dos últimos 2.000 anos. Em seguida, foram analisadas as alterações climáticas registradas no Compêndio ao longo do mesmo período, explorando-se as implicações para a ocorrência e transmissão das doenças.

Os resultados indicaram que, para eventos climáticos de curta duração, a associação com epidemias não foi consistente, sendo em alguns momentos positiva, em outros, negativa. Mas quando a escala de tempo do fenômeno climático aumentava, revelou-se um padrão positivo entre o resfriamento e a frequência de epidemias. 

Os pesquisadores descobriram que as tendências de longo prazo de redução das temperaturas regionais eram acompanhadas de maior ocorrência de secas na China, provavelmente devido ao enfraquecimento das monções. Dessa forma, os hospedeiros e os vetores eram afetados indiretamente, por meio de mudanças no padrão das precipitações.

As secas de longo prazo traziam dois efeitos: favoreciam o aparecimento de enxames de gafanhotos e prejudicavam a produção agrícola. A consequência era episódios de fome entre a população. Ao consultar as alterações climáticas de curto prazo associadas de forma positiva às epidemias, os cientistas identificaram os mesmos fatores – eventos de seca, inundação, gafanhotos e fome.

Os cientistas sugerem que um conjunto de respostas biológicas, ecológicas e sociais a diferentes aspectos das mudanças climáticas passadas dependia da freqüência e do período de estudo. Além disso, a influência do clima pode ser não-monotônicas, ou seja, com efeitos que são positivos e negativos.

Fonte: Chinese Academy of Science
Imagem: Flickr/ Jim Bendon

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