Conexões do sistema climático

Estudar o passado do sistema climático contribui para melhorar o entendimento das mudanças climáticas em curso atualmente. Um fóssil de árvore, preservado em um pântano de turfa da Nova Zelândia por 30 mil anos, ajudou os cientistas a revelar um novo mecanismo que pode explicar um fenômeno ocorrido durante a última era glacial.

Nessa época, registros mostram que as temperaturas no Hemisfério Norte e no Hemisfério Sul eram contrastantes. Enquanto a Groenlândia passava por um resfriamento, a Antártica atravessa um aumento da temperatura. A principal teoria propunha que o contraste se devia à redistribuição do calor pelas correntes oceânicas. Estas constituem um dos principais caminhos pela qual a energia absorvida nos trópicos é transportada em direção aos pólos.

Segundo teoria, com o enfraquecimento da corrente oceânica do Atlântico Norte, menos calor seria transportado para o Hemisfério Norte e a região esfriaria. Ao mesmo tempo, a energia absorvida nos trópicos seria redirecionada para o pólo sul, fazendo as temperaturas lá subirem.

Entretanto, evidências obtidas na análise de sedimentos marinhos registraram, entre 33 e 18 mil anos atrás, a contraste de temperatura entre a Groenlândia e a Antártica. O problema é que correntes oceânicas tenham sido interrompidas no período. A teoria em vigor não poderia explicar sozinha esse fenômeno.

Os cientistas aproveitaram os restos bem preservados do fóssil de árvore para estudar seus anéis. A partir disso, obtiveram dados detalhados da concentração atmosférica do isótopo c-14, que é um indicador das condições climáticas do período. Eles então compararam esses dados com outras registros do clima da último era glacial, explorando possíveis explicações para o contraste entre os pólos.

A comparação sugeriu uma nova possibilidade. Durante a última glaciação, foi observado um episódio de retração da calota polar da Antártica. A consequência foi o lançamento de um pulso de água doce no Oceano Austral, que circunda o continente antárctico. Para avaliar se esse fenômeno puderia interferir no contraste de temperatura entre os pólos, os cientistas utilizaram um modelo climático.

Alterações no Oceano Austral podem provocar uma resposta na região do equador e mesmo ao redor do globo. Os resultados do modelo, associados com os dados levantados pelo estudo, sugerem que a interação entre a Antártica e o Oceano Austral contribuíram para as alterações climáticas globais registradas.

Por meio de interrelações entre o oceano e a atmosfera, as condições climáticas da Antártica influenciaram na formação de condições contrastantes no Ártico. Esse novo mecanismo foi importante na determinações das condições do sistema climático do passado, mas também, ressaltam os cientistas, podem ter um papel no futuro.

Mais informações: Rapid global ocean-atmosphere response to Southern Ocean freshening during the last glacial
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