Avaliando o clima do último período interglacial

O último período interglacial, ocorrido há cerca de 100 mil anos atrás, pode ter sido mais quente do que o estimado anteriormente, sugere estudo publicado no jornal científico Nature. Além das temperaturas mais elevadas, o estudo sugere que o derretimento da calota polar do oeste da Antártica contribuiu mais para o aumento no nível do mar do que a calota polar da Groenlândia.

Conhecido pelo nome de Eemian, o último período interglacial teve início a aproximadamente 130 mil anos atrás, tendo a duração de cerca de 15 mil anos. A fim de estudar o sistema climático do período, os cientistas perfuraram o gelo da Groenlândia em busca de uma amostra que datasse da mesma época. Através da análise com o auxílio de radar, puderam avaliar as camadas individuais, representando o acúmulo anual de neve.

Os pesquisadores também avaliaram a elevação da superfície das geleiras e sua espessura, antes e durante o período interglacial. De acordo com o estudo, durante o Eemian, as temperaturas no norte da Groenlândia eram cerca de 8 gruas Celsius mais quentes do que no presente, e o nível do mar, entre 4 e 8 metros maior.

Eles estimaram que as geleiras eram aproximadamente 200 metros mais altas do que atualmente, antes do início do período interglacial de Eemian. Com o aquecimento da temperatura, a espessura da geleira diminuiu a uma taxa da ordem de 6 centímetros por ano, até estabilizar em uma elevação 130 metros menor do que no presente. Ao longo de 6.000 anos, a calota polar perderia não mais do que 25% do volume total.

A partir daí, os pesquisadores calcularam que a Groenlândia com menos da metade do aumento do nível do mar observado no período. Isso sugere  que a Antártica, em especial a região oeste, dinamicamente mais instável, deve ter sido responsável por uma parte significativa do aumento entre 4 e 8 metros no nível do mar.

O último período interglacial constitui uma boa referência de como ficará o sistema climático no futuro, à medida em que aumentam as concentrações atmosféricas de gases de efeito estufa.

Mais informações: Analysis of Greenland Ice Cores Adds to Historical Record and May Provide Glimpse into Climate’s Future
Imagem: Peter West, NSF