Avaliação da gestão de riscos das mudanças climáticas pelo setor elétrico

A abordagem atual da gestão de riscos do setor elétrico ligados ao aquecimento global é fragmentada e insuficiente para a efetiva adaptação às possíveis mudanças no clima, aponta estudo de pesquisadores dos Estados Unidos. É preciso desenvolver uma gestão de riscos mais holística, envolvendo todas as partes interessadas, entre elas os cientistas, e promovendo a colaboração intersetorial.

O setor elétrico é fundamental para a mitigação do aquecimento global, uma vez que responde por 35% das emissões totais de gases de efeito estufa. A infraestrutura de geração, de transmissão e de distribuição de energia elétrica apresenta grande vulnerabilidade a impactos das mudanças climáticas. Segundo o estudo, projeta-se que o custo anual de produção de eletricidade subirá 14% até 2050 por causa ao aquecimento.

A fim de incorporar eventos ligados ao clima na tomada de decisões da empresa, a gestão de riscos constitui um processo de identificação de probabilidades e implicações de potenciais impactos, bem como de ações efetivas para a adaptação. Os cientistas ressaltam que o a gestão de riscos das mudanças climáticas deve ser multidisciplinar, incluindo questões sociais e ambientais, e abranger o caso individual da organização e o contexto do setor. 

Três razões fazem o setor elétrico ser prioritário na implementação de um gerenciamento de riscos eficiente, afirma o estudo. Em primeiro lugar, o setor presta um serviço público indispensável às demais atividades sociais e econômicas. Em segundo lugar, existe uma interdependência única entre as concessionárias de eletricidade e a população atendida por elas. Por último, a complexa infraestrutura do setor está exposta a um variado conjunto de impactos das mudanças climáticas.

Considerando a importância do setor, os pesquisadores revisaram a literatura científica publicada a respeito da gestão de riscos ligados ao clima na indústria de eletricidade. Foram analisados os impactos das mudanças climáticas, o processo de avaliação de riscos, o envolvimento de partes interessadas e a colaboração intersetorial.

O foco da maior parte da literatura era a identificação de potenciais impactos e de alternativas de adaptação. Eventos climáticos extremos e as inundações foram os riscos mais citados. Observou-se grande diversidade nos métodos propostos, nos tipos de ações de adaptação, ou nas formas de engajamento com as partes interessadas. Pouca ação efetiva foi identificada quanto ao envolvimento de partes interessadas e à colaboração setorial.

Entre as recomendações do estudo, está a realização de avaliações de risco dos sistema elétrico como um todo, extrapolando os limites de uma organização individual. Além disso, os pesquisadores identificam um crescente reconhecimento de interdependência entre o setor elétrico com outros setores, tais como de abastecimento de água e saneamento, de transporte de comunicação.  

Nesse sentido, uma abordagem participativa auxilia na caracterização mais precisa dos riscos climáticos. Também é fundamental quantificar os custos associados aos riscos identificados, de modo a melhor informar a tomada de decisão. Através da gestão de risco eficiente, o setor pode construir políticas e práticas mais sustentáveis para o futuro.

Mais informações: Climate risk management and the electricity sector
Imagem: Pixabay