Aquecimento global natural – um exemplo do passado

À medida que a ciência do clima aprofunda os estudos a respeito do passado da Terra, vai se tornando melhor conhecido o papel crucial desempenhado pela atividade vulcânica. Décadas atrás, acreditava-se que os vulcões provocassem somente impactos de curto prazo, gerando mudanças transitórias no sistema climático. Contudo, o avanço da pesquisa científica tem identificado que mudanças de longo prazo no sistema climático são controladas pelo balanço entre as emissões de gás carbônico – CO2 – por fontes vulcânicas e o sequestro do gás principalmente pelo intemperismo.

Outra evidência do papel do vulcanismo foi obtida por estudo publicado por um grupo internacional de cientistas sobre o aquecimento global do período Paleoceno, ocorrido há 56 milhões de anos atrás. Nessa época, movimentos tectônicos fizeram a Groenlândia se separar do restante do continente europeu, formando-se o que é hoje o mar do Atlântico Norte. Esse rearranjo dos continentes foi acompanhado por intensa atividade vulcânica.

O aquecimento global do período Paleoceno foi caracterizado por uma emissão maciça de CO2 para a atmosfera, causando a acidificação das águas dos oceanos e o aumento da temperatura média global em cerca de 5 a 6 graus Celsius. Estima-se que a atividade vulcânica emitiu cerca entre 4500 e 6800 gigatoneladas de carbono, mais que duplicando as concentrações atmosféricas. As alterações no sistema climático provocaram perturbações ecológicas significativas, mas a maioria das espécies conseguiu evitar a extinção por meio de adaptações ou migrações.

Todavia, ainda não havia uma teoria que explicasse a processo por trás das emissões de carbono no período. Os cientistas buscaram explorar essa questão por meio da análise de fósseis marinhos, a partir dos quais se produziu dados a respeito da evolução do PH das águas oceânicas, e aplicaram esses dados a modelo climático. A partir dos resultados, os cientistas puderam deduzir que o vulcanismo foi o principal indutor do aquecimento global.

Estimativas anteriores sugeriam que as emissões que levaram ao aquecimento do período Paleoceno levaram entre 5 e 20 mil anos, o que se traduz em uma taxa de 0,5 a 1 gigatonelada por ano. O novo estudo indica que as emissões levaram um pouco menos do que 5.000 anos, correspondendo a uma taxa de 0,9 a 1,36 gigatoneladas por ano. Em comparação, entre 1750 e 2011, as atividades humanas emitiram cerca de 555 gigatoneladas de carbono, a uma taxa media de 2,12 por ano.

Mais informações: UCR/Volcanic Eruptions Drove Ancient Global Warming Event
Imagem:  Yosh Ginsu / Unsplash