A Amazônia e o clima do futuro

Qual será o impacto das mudanças climáticas sobre o maior bioma brasileiro, a floresta amazônica? Modelos computacionais do clima prevêem alterações das temperaturas, da precipitação, e de eventos climáticos extremos, como secas severas, na Amazônia, o que poderá ter consequências na composição e distribuição da cobertura vegetal.

Estudos sobre o tema buscam avaliar a resposta da floresta às mudanças futuras do clima. Eles são usualmente baseados em modelos computacionais que reproduzem a dinâmica da vegetação – a interação entre a flora e aspectos como chuva, temperatura, ou nutrientes do solo – e também em modelos climáticos.

Os resultados variam, uma vez que são dependentes dos modelos e do cenário futuro considerado em cada estudo. Buscando contribuir ao entendimento do futuro da Amazônia, cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE realizaram uma avaliação de dois cenários futuros, um de médias e outro de altas emissões de gases de efeito estufa, a partir de modelos aprimorados à realidade brasileira.

Os pesquisadores não consideraram a influência de atividades humanas ou da possível intensificação da temporada de queimadas, restringindo a análise à resposta da floresta às alterações climáticas. As simulações consideraram que nos dois cenários ocorrerá aumento da temperatura e redução das chuvas na Amazônia.

Para o cenário de médias emissões , parte da floresta tropical seria substituída por floresta decidual e savana, sendo que a substituição seria apenas por savana no cenário de altas emissões. O estado do Amazonas perderia 9% de área ocupada hoje pela floresta no primeiro cenário, número que subiria para 50% no segundo cenário.

Nota do ciência e clima:
O paradigma científico ligado à Amazônia mudou profundamente no século XXI. Essa drástica alteração é resumida por Roosevelt (2013):

A vasta floresta tropical da Amazônia, uma vez interpretada enquanto uma área de natureza virgem, vulnerável à mudanças climáticas, e inóspita às culturas indígenas, é agora descoberta através de dados pré-históricos, etnográficos e etnohistóricos como o oposto: um habitat humano resistente à alterações ambientais e profundamente influenciado por milhares de anos de ocupação (Roosevelt, 2013, pg. 69).

Segundo o mesmo autor, a devastação da Amazônia tem início com as formas modernas de exploração das sociedades coloniais e industriais globalizadas. O bioma é mais resistente a mudanças tectônicas e do clima do que o admitido pelo paradigma antigo.

Avaliações sobre o futuro da Amazônia tendem a enfatizar o determinismo do clima e, nesse sentido, respaldam o antigo paradigma.

Mais informações: Sensitivity of the Amazon biome to high resolution climate change projections
Imagem: mapa da Amazônia. Retirado do artigo de Roosevelt (2013)
Bibliografia: Roosevelt, A. C. (2013). The Amazon and the Anthropocene: 13,000 years of human influence in a tropical rainforest. Anthropocene, 4, 69-87.

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