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Mudança do clima não favorecerá doença da cana

A favoralibilidade da doença da queima das folhas da cana-de-açúcar poderá diminuir no Brasil e aumentar na Argentina devido às mudanças climáticas. A conclusão foi de estudo de pesquisadores e universidades de centros de pesquisa argentinos e brasileiros.

Uma das consequências das mudanças climáticas é a modificação da ocorrência de pragas e doenças na agricultura. Segundo o estudo, as alterações no clima podem levar a uma nova distribuição geográfica de espécies de insetos e patógenos associados à perdas em cultivos agrícolas.

É o caso da doença da queima das folhas, causada por um fungo – Stagonospora sacchari – que ataca a cana-de-açúcar. A incidência da queima das folhas está ligada às chuvas de verão, em especial a eventos intensos e ao vento. Ela tem o potencial de diminuir significativamente a produção, trazendo prejuízos econômicos.

O fungo constitui uma espécie exótica, ainda não presente no Brasil, o maior produtor mundial de cana-de-açúcar. Mas ele já foi identificado em regiões de fronteira, como a Argentina e a Venezuela. O estudo investigou se as mudanças climáticas irão interferir na distribuição geográfica e temporal do fundo, de modo a explorar possíveis impactos no sudeste do Brasil e no noroeste da Argentina.

Foram combinados modelos climáticos, com cenários de aquecimento até o ano de 2100, e modelagem biológica da distribuição da doença. Considerou-se o período de dezembro a março, quando a cana-de-açúcar está mais suscetível à doença.

As projeções indicaram que o clima nos estados de São Paulo e Minas Gerais se tornará menos favorável à incidência da doença da queima da folha. Se, no período entre 1961 e 1990, a área favorável à doença ocupava 94,5% do total, esse número cairia para 21,8% até 2100 no cenário de aquecimento global.

O contrário se verificou nas regiões produtoras do noroeste da Argentina. O estudo apontou que as mudanças do clima favorecerão a ocorrência da doença. As áreas muito favoráveis à doença nos meses de dezembro e janeiro poderiam subir dos atuais 6,7% para até 80% em 2100.

Mais informações: Hamada, E., Bisonard, E. M., GONÇALVES, R. D. V., Angelotti, F., & MARIO RAGO, A. (2019). Panorama da favorabilidade da doença queima das folhas da cana-de-açucar no Brasil e na Argentina sob efeito das mudanças climáticas. In Embrapa Semiárido-Artigo em anais de congresso (ALICE). In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE SENSORIAMENTO REMOTO, 19., 2019, Santos. Anais… São José dos Campos: INPE, 2019.
Imagem: Pixabay

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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