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Modelos não representam a realidade local

A utilização unicamente de modelos computacionais para o planejamento e estudo de medidas de adaptação às mudanças climáticas na agricultura é uma fonte de erro. Deve-se considerar também a realidade de comunidades locais, afirma estudo de pesquisadores do Reino Unido.

Segundo o estudo, medidas e tecnologias de adaptação às mudanças climáticas precisam estar de acordo com as condições locais. Elas apenas serão efetivamente implementadas e mantidas se respeitarem fatores sociais, culturais e agroecológicos.

Estratégias de adaptação possuem duas características principais. De um lado, dependem da projeção de mudanças  nas variáveis do clima, uma análise em geral de longo prazo e de largas escala. De outro lado, estão voltadas e se tornam relevantes em função do contexto local.

Os pesquisadores afirmam que o conhecimento da ciência da adaptação deve refletir escalas temporais e espaciais adequadas. Todavia, há muitas barreiras e desafios. Por exemplo, modelos computacionais não conseguem representar as complexidades socioeconômicas do setor agrícola.

Além disso, comunicar a ciência por trás de modelos físicos para aqueles sem conhecimento técnico específico pode ser desafiador. E diferentes disciplinas da ciência apresentam perspectivas distintas, o que pode constituir uma fonte de atrito.

Nesse sentido, o estudo explorou como desenvolver pesquisa em adaptação a partir das dinâmicas e experiência locais de um sistema agrícola. Através de uma revisão sistemática da literatura científica, buscou-se caracterizar as linhas de pesquisa da ciência da adaptação agrícola.

A fim de analisar cada uma delas, os pesquisadores utilizaram um estudo de caso real, em um comunidade da América Central. 

Duas principais linhas de pesquisa foram identificadas: abordagens baseadas no lugar e abordagens baseadas em modelos computacionais de culturas agrícolas.

A pesquisa de modelagem abrangeram simulações de fatores como o cultivo, o clima, o solo e, às vezes e de modo limitado, de práticas de gestão. O trigo, o arroz ou o milho consistem nas variedades avaliadas pela maioria da literatura.

A escala adotada por estudos de modelagem foi usualmente regional ou global, concentrando-se na projeção de impactos sobre a produtividade. O alcance e o tipo de medidas de adaptação avaliadas também se mostrou bastante restrito. Incluíram o uso de fertilizantes, alterações na irrigação, na data de plantio, e na área cultivada.

A pesquisa baseada na realidade local possuía, em geral, alcance mais amplo. Tanto o escopo quanto as medidas de adaptação eram definidas conjuntamente, durante o processo, entre pesquisadores e comunidade. A escala utilizada era a da comunidade ou mesmo do lar.

Além da produtividade, as análises consideravam também questões qualitativas como a renda, o bem-estar, a vulnerabilidade às condições climáticas e a resiliência. Porque o foco não era apenas manter o máximo de rendimento, as recomendações de adaptação abrangeram um conjunto bem maior de alternativas. 

Entre elas, a realização de seguros para as colheitas, a diversificação de variedades cultivadas, ou a implementação de sistemas agrosilvipastoris. O tipo de alternativa consistiu naquela mais relevantes na escala local e no momento da realizaçãod a pesquisa. 

Os pesquisadores recomendaram a integração entre as duas linhas de pesquisa. Dessa forma, a modelagem de cultivos poderia representar mais realisticamente as alternativas de adaptação disponíveis no contexto local.

Para tanto, um pré-requisito é construir de forma coletiva uma base de dados consistentes e acessíveis sobre experiências locais de gerenciamento e adaptação às mudanças climáticas.

Mais informações: Crop modelling: towards locally relevant and climate-informed adaptation
Imagem: Unsplash/ Vesela Vaclavikova

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