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Efeitos de programas de sustentabilidade na mitigação de gases de efeito estufa da pecuária

O Brasil é um dos maiores fornecedores de proteína animal para o mundo. Segundo dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa -, entre 2000 e 2015 a produção de carne cresceu 45%, enquanto que o rebanho bovino de corte cresceu 25%. Em 2015, o país contava com cerca de 214 milhões de cabeças de gado, o maior rebanho comercial do mundo, produzindo 9,2 milhões de toneladas de carne.

A pecuária também é uma das principais atividades emissoras de gases de efeito estufa no Brasil, responsável por 18% das emissões anuais. Ela também está associada à alterações no uso e ocupação dos solos, através do desmatamento de áreas do cerrado e do bioma amazônico e sua conversão em pastagens. Nesse sentido, frente às metas e políticas do governo brasileiro voltadas à redução das emissões, será fundamental disseminar medidas de mitigação junto ao setor da pecuária de corte.

A fim de investigar a efetividade de iniciativas já em implantação, um grupo de pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos analisou os resultados obtidos por fazendas de pecuária bovina de corte localizadas na região do bioma amazônico (ver mapa abaixo). Apesar da menor participação na produção de carne brasileira, a pecuária bovina está historicamente ligada ao desmatamento na Amazônia, e o desenvolvimento da infraestrutura local torna a região particularmente vulnerável ao desmate da floresta.

Fig. 1
Bioma amazônico,  área onde foi realizada a pesquisa (Fig. 1 do estudo)

 

Foram pesquisadas um total de 40 fazendas, divididas entre participantes e não participantes de programas de sustentabilidade. As fazendas participantes integraram ou ainda fazem parte de quatro diferentes programas de sustentabilidade. Todos buscavam melhorar a produtividade, incluindo ações como o aumento do rebanho e a diminuição da idade de abate, a reabilitação e a rotação das pastagens. Os produtores receberam assistência técnica e em alguns casos foi introduzido o manejo intensivo para o estágio final de engorda. Os programas também incentivaram a redução do desmatamento.

Para calcular o total de emissões de cada uma das fazendas, os pesquisadores incluíram o metano – CH4 – emitido pela fermentação entérica dos animas e pelo estrume, o óxido nitroso – N2O – proveniente de adubos e fertilizantes aplicados no solo, e o gás carbônico – CO2 – liberado pelo pasto ou ligado à produção de pesticidas, fertilizantes e alimentos para o rebanho. Não foram analisadas outras possíveis fontes de emissão de gases de efeito estufa nas fazendas, tampouco o sequestro de carbono por remanescentes de floresta.

Fig. 4
Fontes de emissão de gases de efeito estufa nas fazendas pesquisadas (Fg. 4 do estudo)

 

A principal fonte de emissões de gases de efeito estufa pelas fazenda estava associada à fermentação entérica dos animais, correspondendo a 75% do total, e ao estrume, com 22% (gráfico acima). Os resultados do estudo indicaram menores emissões médias de CO2 equivalente por quilo de carcaça pelas fazendas participantes de programas de sustentabilidade, mas em níveis estatísticamente não significativos.

No caso de fazendas participando a mais de 2 anos de algum dos programas, a redução foi significativa, de 19 quilos de CO2 equivalente por quilo de carcaça. A diminuição das emissões aconteceu simultaneamente a um aumento de produtividade. As fazendas participantes do programa aumentaram o tamanho do rebanho em média em 23%, ao mesmo tempo em que tiveram a idade de abate reduzida em 3,4 meses.

Os pesquisadores alertam para a necessidade de aprimorar as práticas agropecuárias, de forma a reduzir a emissão de gases de efeito estufa pelo setor. Isso passa pelo desenvolvimento de novas pesquisas a respeito de programas de incremento da produçao pecuária.

Mais informações: Climate change mitigation through intensified pasture management: Estimating greenhouse gas emissions on cattle farms in the Brazilian Amazon
Imagem: Pixabay

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