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Mineração provoca grandes emissões de carbono

A atividade minerária altera dramaticamente a taxa de intemperismo das rochas, com importantes implicações para a emissão de dióxido de carbono – CO2 – para a atmosfera, identificou estudo de pesquisadores de universidades dos Estados Unidos.

O intemperismo é o conjunto de processos que provocam a desintegração e a decomposição das rochas. Apresenta grande importância para os ecossistemas e a transformação das paisagens. O intemperismo também controla o ciclo do carbono em escala geológica.

De acordo com o estudo, a mineração e outras atividades de movimentação de terra tem o potencial de alterar a taxa de intemperismo ao trazer grande quantidades de rochas fragmentadas à superfície, sob a influência do clima. Mas esse efeito havia sido pouco investigado pela ciência.

A fim de explorar o tema, os pesquisadores analisaram os impactos causados por uma mina de carvão em um bacia hidrográfica localizada nos Estados Unidos. Eles registraram um excepcional crescimento nas taxas de intemperismo químico da área minerada, cerca de 45 vezes superior do que em áreas não mineradas.

Gif showing what happens on mountaintops due to mining
Os gráficos comparam o intemperismo de uma área não minerada, em verde, com outra submetida à mineração, em vermelho. Fonte: Matthew Ross, CSU.

Os resultados apontaram que a mineração de carvão fornecia mais de 7.600 quilos por hectare de sólidos na bacia de drenagem à jusante. A elevação do intemperismo estaria ligada às características do processo de mineração. Junto com o carvão retirado das montanhas, encontra-se frequentemente outro mineral chamado de pirita.

Quando exposta ao ar, a pirita rege quimicamente e produz ácido sulfúrico. A fim de evitar que o ácido drene para os recursos hídricos e torne a água ácida e cáustica, as empresas de mineração misturam intencionalmente a pirita com rochas carbonáticas.

Em contato com esse tipo de rocha, o ácido sulfúrico é neutralizado. Todavia, o estudo identificou que nesse processo as rochas carbonáticas acabam sendo rapidamente desgastadas por intemperismo químico. Umas das consequências consiste na profunda modificação do ciclo de carbono da paisagem.

A reação do ácido sulfúrico com as rochas carbonáticas inverte o processo geológico de sequestro de carbono, expelindo CO2 para a atmosfera. Dessa forma, contribui para maiores concentrações atmosféricas de gases de efeito estufa.

Estimou-se que os efeitos da mineração sobre as taxas de intemperismo liberem entre 100 e 450 kg de carbono por hectare por ano. O potencial de carbono liberado pode ser ainda maior. Quando os sedimentos transportados pelos rios alcança os oceanos, eles tem o potencial de liberar mais CO2, um adicional correspondente a 90–150 kg de carbono por hectare. 

O fluxo natural de enxofre também experimenta uma severa alteração. O estudo estimou que, apesar da mina investigada ocupar uma área de 0,006% da superfície terrestre, ela poderia contribuir com até 7% do total de enxofre transportado dos continentes para os oceanos globalmente.

Os cientistas ressaltaram a ação transformadora da mineração de carvão. Paisagens passam a experimentar taxas extremamente velozes de intemperismo, e de fontes de sequestro, tornam-se fontes de emissão de CO2.

Fonte: Universidade do Estado do Colorado
Imagem: Pixabay

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