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Microrganismos interferem no sequestro de carbono dos oceanos

Os modelos anteriores do ciclo de carbono dos oceanos podem estar errados, identificou estudo de um grupo de cientistas de universidades dos Estados Unidos. A troca de carbono entre os oceanos e a atmosfera depende de microrganismos que vivem em profundidades entre 100 e 1.000 metros e que não haviam sido considerados até o momento pela ciência.

O oceano constitui o maior reservatório de carbono do sistema climático, cerca de 50 vezes maior do que a atmosfera. A troca de carbono entre esses dois componentes do sistema climático influencia as concentrações atmosféricas de dióxido de carbono – CO2 – e, consequentemente, a intensidade do efeito estufa.

O estudo se baseou em um sistema de câmeras capaz de detectar organismos de até 0,5 milímetros de tamanho, um pouco menor do que a metade da espessura de uma moeda de um real. O levantamento identificou uma quantidade de microrganismos unicelulares muito maior do que a esperada em profundidades do oceano entre 100 e 1.000 metros.

Esses microrganismos se alimentam de restos de material orgânico proveniente das águas superficiais, como pequenos animais marinhos mortos, e que afundam em direção ao fundo do mar. Apenas para um grupo de microrganismos, os cientistas estimaram que eles consumiriam até cerca de 20% das partículas provenientes  da superfície.

A descoberta coloca em questão a teoria a respeito de uma das formas pelas quais o oceanos sequestra e armazena o carbono da atmosfera. Chamada de bomba biológica, ela considera que, através da fotossíntese, o fitoplâncton presente na superfície da água absorve o CO2 da atmosfera.

O fitoplâncton constitui a base da cadeia alimentar dos oceanos, servindo de alimentos para diversos outros animais marinhos, como, por exemplo, o krill, que incorporam o carbono sequestrado da atmosfera em sua própria biomassa.

Ao longo de seu ciclo de vida e quando morrem, a matéria orgânica desses seres vivos se precipita até o fundo do mar. Dessa forma, segundo a teoria, o carbono presente na biomassa acabaria sendo armazenado por milhares de anos no chão dos oceanos.

Mas o estudo mostrou que esse pode não ser o quadro completo. É possível que boa parte do carbono atmosférico sequestrado pela vida biológica permaneça na camada de água entre 100 e 1.000 metros de profundidade, sem alcançar o fundo do mar.

O fluxo de carbono pelos oceanos – e suas possíveis influências sobre as concentrações atmosféricas de CO– talvez precise ser reavaliado. Os pesquisadores alertaram para a necessidade de mais pesquisas, a fim de compreender melhor o papel dos microrganismos no ciclo global de carbono dos oceanos.

Ao mesmo tempo, tentar projetar como esse papel pode sofrer alterações à medida em que avança o aquecimento global, e quais as possíveis consequências.

Fonte: Universidade do Estado da Flórida
Imagem: Freeimages

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