Press "Enter" to skip to content

Menor produtividade com o aquecimento global

A produtividade do trabalho deverá diminuir com o aquecimento global em função do maior estresse térmico a que os trabalhadores estarão submetidos, apontou estudo de pesquisadores de universidades da China e do Reino Unido.

Quando as temperaturas do ambiente de trabalho se tornam muito elevadas, o estresse térmico pode afetar a saúde dos trabalhadores e diminuir sua produtividade. Menor produtividade do trabalho leva a perdas para a economia.

Estimar a perda de produtividade do trabalho por causa do calor é uma tarefa difícil. Segundo o estudo, em parte devido à falta de medidas e dados exatos, que possam ser comparados entre diferentes países.

Recentemente, pesquisas das ciências sociais, especialmente em países desenvolvidos, buscaram identificar os impactos do estresse térmico sobre o trabalho. Mas as amostras eram geralmente pequenas, e não forneciam informações para uma análise abrangente.

Os pesquisadores decidiram realizar um levantamento global, de modo a caracterizar as particularidades regionais em todo o mundo. Para tanto, em 2016 eles fizeram uma pesquisa online de levantamento de dados tanto em países desenvolvidos quanto em países em desenvolvimento.

A partir da análise de mais de 4.000 respostas, foi possível quantificar os efeitos do calor na produtividade do trabalho em diferentes países ao longo de um ano. Com base nessas informações, o estudo projetou os impactos futuros de cenários distintos de aquecimento global.

Os resultados da pesquisa mostraram que uma média de 6,6 dias de trabalho foram perdidos por causa do estresse térmico nos países em desenvolvimento. O valor foi de 3,5 dias nos países desenvolvidos.

De acordo com o estudo, o impacto do calor sobre a produtividade do trabalho esteve inversamente associado ao PIB per capita. Quanto menor o nível de desenvolvimento, maior a tendência de impactos do estresse térmico.

Entre as regiões do mundo mais vulneráveis ao calor, estiveram o trecho da rota da seda, entre a Europa e a China, a Ásia Central e o norte europeu. Atualmente, em parte dessas regiões um dos mais graves eventos meteorológicos em termos de perdas econômicas são as ondas de calor.

O aquecimento global deverá agravar os efeitos do estresse térmico sobre o trabalho. O estudo estimou que, em um cenário de aumento da temperatura média global em 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, a perda de produtividade subirá para 9 dias nos países desenvolvidos e 19 dias nos países em desenvolvimento.

No cenário de 2°C, as perdas foram estimadas em 12 e 31 dias respectivamente para países desenvolvidos e em desenvolvimento. A quantidade de dias perdidos subiria para 22 e 61 no cenário de 3°C e para 33 e 94 no cenário de 4°C.

A vulnerabilidade às ondas de calor também variou geograficamente. Por exemplo, em um cenário de aquecimento de 2°C, a perda que seria registrada nos países do Sudeste Asiático, identificados como os mais vulneráveis, corresponderia à perdas que países desenvolvidos experimentariam somente no cenário de 4°C.

De modo geral, os impactos nos países em desenvolvimento se intensificariam significativamente com o avanço do aquecimento global. Medidas de adaptação às ondas de calor devem ser implementadas, alertaram os pesquisadores. Será preciso melhor as condições de proteção do trabalhador às condições meteorológicas do futuro.

Fonte: Academia Chinesa de Ciências
Imagem: Unsplash/ Ricardo Gomez Angel

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
%d blogueiros gostam disto: