Press "Enter" to skip to content

Efeitos do aquecimento global no cultivo do melão

As consequências do aquecimento global podem afetar a produção de melão no Nordeste brasileiro, aponta estudo de pesquisadores da Embrapa. É preciso não somente adaptar a produção e o manejo às mudanças climáticas, mas também melhorar o desempenho ambiental do setor, reduzindo as pegadas de carbono e hídrica.

A produção do melão está concentrada no Nordeste, que responde por 95% do total nacional. As regiões de Jaguaribe-Açu, no município de Mossoró, divisa dos estados do Ceará e Rio Grande do Norte, e do submédio vale do rio São Francisco, entre a Bahia e Pernambuco., constituem os principais pólos produtores. Além da qualidade dos frutos, o melão do Nordeste tem ciclo reduzido e permite até três safras por ano.

Um dos efeitos sobre a produtividade do melão está ligada ao efeito de fertilização do dióxido de carbono – CO2. Utilizado na fotossíntese, o CO2 presente na atmosfera influencia no comportamento fisiológico das plantas, incluindo as taxas de crescimento. Espécies como a do meloeiro podem ser favorecidas pelo aumento das concentrações do gás, com incrementos na produtividade. Contudo, a resposta das plantas depende também de outros fatores, como a disponibilidade de água.

Entretanto, o principal impacto do aquecimento global está relacionado ao aumento da temperatura. De acordo com o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, estima-se que até 2050 a temperatura média do Brasil será de 3oC a
60C mais alta do que em comparação com o fim do século passado. A área cultivada no Nordeste pode sofrer uma redução de 15%, entre 2010 e 2040.

O estudo da EMBRAPA ressalta que a cultura do melão é sensível à temperatura. As condições ideais para germinação e o crescimento são de temperaturas entre 25oC e 35oC, dependendo da fase. A floração exige temperaturas mais brandas, entre 20oC e 23oC. Acima de 37oC ocorrem problemas de maturação.

Diversos estudos sugerem que o aumento da temperatura provoca efeitos negativos no crescimento e desenvolvimento das plantas. Outro impacto se dá na taxa de polinização. A germinação e a viabilidade dos grãos de pólen podem ser alterados, prejudicando o pegamento dos frutos. A polinização por insetos também pode ser reduzida. Além de possível queda de produtividade e diminuição da área plantada, o aumento da temperatura interferiria na qualidade dos frutos.

Os pesquisadores concluem que os efeitos positivos da fertilização do CO2 podem ser menores do que o impacto negativo das altas temperaturas. As taxas de respiração e transpiração das plantas subirá, com maior consumo de nutrientes e de água. Em um contexto de mudanças climáticas, exigirá do produto um manejo da cultura voltado à eficiência do uso da água e de nutrientes.

Mais informações: Produção de melão e mudanças climáticas
Imagem: Flickr/ Otávio Nogueira

Comments are closed.

%d blogueiros gostam disto: