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Preservação da Mata Atlântica e adaptação às mudanças climáticas

Os programas implantados no Brasil de pagamento pela conservação ou recuperação de remanescentes da Mata Atlântica podem ser mais eficientes, afirma estudo de pesquisadores brasileiros. Esse tipo de programa constitui uma estratégias de adaptação às mudanças climáticas e deve ser considerado no desenvolvimento de políticas públicas.

O estudo lembra que o Brasil é o país com a maior biodiversidade no mundo, e 35% dela se encontra na Mata Atlântica. Apesar da alta taxa de devastação, os remanescentes de Mata Atlântica possuem mais diversidade de espécies de plantas do que toda a América do Norte ou a Europa. Do ponto de vista do sistema climático, a mata constitui um sumidouro de carbono, sequestrando CO2 da atmosfera.

Programas de pagamento pela recuperação e conservação da Mata Atlântica consistem em uma das alternativas para restaurar o ecossistema. Trazer a mata de volta, ou preservá-la, traz inúmeros benefícios relacionados aos serviços que o ecossistema realiza, como a conservação de recursos hídricos ou a redução de riscos ligados à degradação dos solos ou às mudanças climáticas.

Mas uma importante lacuna dos programas de conservação é não quantificar os benefícios proporcionados. Os pesquisadores avaliaram a possibilidade de sanar essa lacuna através do uso de indicadores da eco-hidrologia. Compreendida como a interação entre a biota, a hidrologia e o solo, a eco-hidrologia fornece variáveis que podem operar como indicadores na quantificação de serviços hidrológicos dos ecossistemas em uma bacia hidrográfica.

Mapa com a distribuição dos projetos analisados. O tamanho dos círculos azuis está relacionado ao número de projetos por estado brasileiro. Fonte: figura 1 do estudo.

O estudo analisou 16 diferentes programas de pagamento para conservação e recuperação da Mata Atlântica, distribuídos em 6 estados do Sudeste e Sul do país. Identificou que mais de 1.900 proprietários rurais participam dos programas, abrangendo mais de 48.000 ha de terras na Mata Atlântica.

A grande maioria dos programas está voltado à conservação de remanescentes da floresta. O objetivo é usualmente a preservação dos recursos hídricos, portanto eles se concentram em regiões de relevância do ponto de vista da água, como, por exemplo, bacias hidrográficas utilizadas para abastecimento de centros urbanos. É raro a adoção de monitoramento ou indicadores hidrológicos para quantificar os benefícios dos programas.

O planejamento e execução de monitoramento de longo prazo da água é fundamental para a avaliação e comparação de programas de pagamento para conservação da Mata Atlântica, conclui o estudo. Não apenas do ponto de vista da preservação de recursos hídricos, mas também da adaptação às mudanças climáticas. Dessa forma será possível validar as ações implementadas e a eficiência de seus resultados, facilitando a conscientização pública e o aumento de investimento em iniciativas semelhantes.

Mais informações: Hydrological services in the Atlantic Forest, Brazil: An ecosystem-based adaptation using ecohydrological monitoring
Imagem: Flickr/ Henrique Ferreira

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