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Manipular o gelo marinho do Ártico

Aumentar o albedo do Ártico poder ser uma alternativa para limitar o aquecimento global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, sugeriu estudo de cientistas dos Estados Unidos.

O albedo constitui a fração da radiação solar que é refletida de volta para o espaço. Quanto maior o albedo de uma superfície, menor a quantidade de energia solar que ela absorve.

As transformações registradas no Ártico tem sido bem mais intensas do que em outras partes do mundo, uma característica do sistema climático denominada ampliação polar. Por causa dela, a cobertura do gelo marinho durante o verão diminui a uma grande velocidade.

Segundo o estudo, nas últimas décadas, a área ocupada pelo gelo marinho durante o verão caiu pela metade, sendo que o volume se reduziu em três quartos. O oceano ártico se encontra em um processo de transição no qual o gelo marinho desaparecerá nos meses de verão. Modelos climáticos projetam que isso ocorrerá por volta do ano 2060.

O gelo também sofreu alterações qualitativas. Ele se tornou mais jovem e menos espesso, fazendo com que seu albedo diminua.

A perda de gelo marinho do Ártico está intensificando o aquecimento global. O gelo possui alto albedo, refletindo grandes quantidades de luz solar. Sem o gelo, a luz acaba sendo absorvida pelo oceano.

Uma estimativa sugeriu que a alteração do albedo ao redor do planeta nos últimos 30 anos corresponderia a uma quantidade adicional de energia no sistema climático 25% superior àquela provocada pelo aumento do CO2 atmosférico no mesmo período.

Nesse sentido, os cientistas argumentaram que restaurar o albedo do Ártico poderia ajudar a limitar o aquecimento do planeta. Implicaria utilizar estratégias de geoengenharia com vistas à preservação do gelo marinho. O estudo apresentou uma alternativa considerada de baixo risco, localizada e potencialmente reversível.

O método consiste na aplicação de micro-esferas de vidro, um material altamente reflexivo, sobre a superfície de gelo marinho jovem e de baixa refletividade. Os cientistas realizaram testes em campo com o material, e depois avaliaram sua aplicação em larga escala por meio de um modelo climático.

As micro-esferas de vidro protegeriam o gelo jovem do sol do verão, permitindo que ele se tornasse mais espesso ao longo do tempo e tivesse suas propriedades reflexivas intensificadas. A medida, considerada de baixo impacto ambiental pelo estudo, poderia elevar o albedo do Ártico.

As simulações do modelo climático mostraram uma redução da temperatura de mais de 1,5°C em grande parte do Ártico com a aplicação em larga escala do método. A concentração e a espessura do gelo marinho experimentariam um aumento.

O estudo concluiu que a alternativa tecnológica avaliada seria viável como geoengenharia de restauração do gelo marinho ártico e seu albedo.

Mais informações: Increasing Arctic Sea Ice Albedo Using Localized Reversible Geoengineering
Imagem: Jeff Schmaltz/ MODIS-NASA

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