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Mangues da Amazônia são ricos em carbono

A Amazônia abriga a maior área de manguezais do mundo. E a quantidade de carbono presente nesses ecossistemas é bem superior ao da floresta, descobriu estudo de cientistas brasileiros e dos Estados Unidos.

A Amazônia legal do Brasil constitui um dos principais sumidouros de carbono do planeta, absorvendo do dióxido de carbono – CO2 – da atmosfera. Segundo o estudo, as pesquisas anteriores se concentraram na avaliação dos estoques de carbono das florestas de terras altas. Faltava investigar os reservatórios presente nos mangues amazônicos.

Os cientistas realizaram um levantamento da quantidade de carbono presente em ecossistemas de manguezais e salinas a leste da foz do rio Amazonas, no estado do Pará. A partir do estudo de parcelas em um conjunto de áreas, eles estimaram o carbono armazenado em árvores, material lenhoso e nos e solos.

A quantidade média de carbono identificada nos ecossistemas de salinas foi de 257 Mg por hectare, enquanto que os mangues armazenavam um volume bem superior, entre 361 a 746 Mg C por hectare. Em comparação com florestas de mangues localizadas no nordeste semiárido, os mangues da Amazônica abrigavam uma quantidade similar de carbono.

Todavia, a biomassa acima do solo dos manguezais da Amazônia era significativamente superior do que a dos manguezais do nordeste semiárido. O contrário se observou em relação ao carbono armazenado pelos solos, que se mostrou bem menor nos mangues da Amazônia.

Gráfico da estimativa do estoque de carbono de diferentes ecossistemas brasileiros. Fonte: adaptado da figura 2 do estudo.

A partir dos resultados, os cientistas calcularam que a quantidade média de carbono de todos os ecossistemas de mangues brasileiras seria de 473 Mg por hectare, bem abaixo da média mundial. O principal motivo para essa diferença seria a quantidade média de carbono armazenado pelos mangues no solo, que no Brasil foi estimada como a metade da média mundial.

Ainda assim, os estoques de carbono dos mangues foram pelo menos duas vezes maiores do que os estoques atribuídos à floresta amazônica.

O carbono presente nos mangues também é mais vulneráveis do que o da floresta. Segundo o estudo, a conversão de manguezais para agricultura ou aqüicultura pode emitir entre 1067 e 3003 Mg de CO2 equivalente por hectare, em comparação com 583 Mg CO2e ha da conversão de florestas em pastagens.

Assim, a estratégia de mitigação do aquecimento global na Amazônia deve ir além da suspensão do desmatamento. Os manguezais brasileiros, vastos e vulneráveis, representam ecossistemas fundamentais para políticas de mitigação e de adaptação. 

Mais informações: Carbon stocks of mangroves and salt marshes of the Amazon region, Brazil
Imagem: Flickr/ Renato Goes

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