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Mais gás carbônico, menos nutrientes

O aumento das concentrações atmosféricas de dióxido de carbono – CO2 –  diminuirá o valor nutricional dos principais tipos de cultivo, com sérias implicações para a saúde humana, alertou artigo de pesquisadores de universidades dos Estados Unidos.

Em geral, no contexto das pesquisas a respeito do aquecimento global, aponta-se que o aumento do CO2 atmosférico tem como principal efeito estimular o crescimento de certos tipos de plantas. Segundo o artigo, as concentrações mais altas desse gás de efeito estufa estimulam a fotossíntese, com potenciais benefícios para a produtividade das plantações de cereais.

No entanto, estudos identificaram que o crescimento mais rápido das plantas pode ser acompanhado por uma redução de sua qualidade nutricional. Sob a influência de níveis maiores de CO2, experimentos detectaram uma elevação nas concentrações de carboidratos e quedas de proteínas e minerais de plantas.

Os pesquisadores ressaltaram a importância da perda de qualidade nutricional das plantas para a segurança alimentar, alertando que esse é um aspecto que não pode ser negligenciado. A questão é particularmente relevante para os cereais, pois eles constituem uma fonte de alimento e de proteína essencial para as pessoas e para a criação de animais.

Uma das pesquisas mais recentes analisou como o aumento das concentrações de CO2 atmosférico influenciará a presença dos nutrientes zinco e ferro em cultivos. O objetivo foi identificar se a deficiência nutricional das populações se elevaria e, com isso, a exposição das pessoas à doenças.

Um total de 137 países foi analisado. A pesquisa utilizou projeções de mudanças climáticas e de concentrações futuras de CO2, a fim de estimar o nível de nutrientes das culturas. Essa informações foram combinadas com dados sobre os padrões alimentares e o risco de doenças de cada país, tendo em vista a deficiência de zinco e ferro.

Para avaliar o impacto da queda de nutrientes, a pesquisa adotou o indicador de Ano de Vida Ajustado por Incapacidade – AVAI. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o AVAI serve para medir a lacuna entre o estado de saúde atual de uma população em comparação com uma situação ideal, na qual toda a população vivesse livre de doenças e incapacidades até uma idade avançada.

Os resultados apontaram que o índice subiria em 12% no período entre 2015 e 2050, mostrando uma piora da saúde da população mundial. A causa estaria associado à maior incidência de doenças infecciosas, de diarréia e anemia devido à queda de zinco e ferro dos alimentos sob a influência do CO2 atmosférico.

O sudeste da Ásia e a África, regiões onde atualmente se registram as maiores deficiências de ferro e zinco, sofreriam desproporcionalmente os efeitos da queda de nutrientes.

Mas as plantas possuem outros compostos relevantes para a nutrição e saúde humanas, como, por exemplo, os ácidos graxos, vitaminas ou elementos farmacológicos. Os pesquisadores ressaltaram a necessidade de mais estudos para analisar os possíveis efeitos do aumento do CO2.

Além disso, além da questão da qualidade nutricional das plantas, mudanças climáticas poderão interferir na produtividade do setor agrícola. Aumento das temperaturas médias, alterações no padrão das chuvas, ou eventos climáticos extremos irão afetar o rendimento, com consequências para todos os aspectos da segurança alimentar, e intensificando a desnutrição.

Evitar esses cenários e se adaptar às mudanças que virão exigirá a continuidade da pesquisa científica e a adaptação da agricultura. O mais importante, no entanto, é reduzir com urgência as emissões de gases de efeito estufa.

Fonte: Increases in atmospheric carbon dioxide: Anticipated negative effects on food quality
Mais informações: Anticipated burden and mitigation of carbon-dioxide-induced nutritional deficiencies and related diseases: A simulation modeling study
Imagem: Pixabay

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