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Mais calor poderia favorecer o mosquito da malária

Populações de mosquitos da Mata Atlântica transmissores de malária poderão ser beneficiados com o aquecimento global. O aumento das temperaturas favorecia o ciclo de vida do mosquito, resultando em um maior potencial de transmissão da doença, sugeriu estudo de cientistas de universidades do Brasil e dos Estados Unidos.

Na América do Sul, a incidência de malária diminuiu entre 2010 e 2016. Mas, de acordo com o estudo, os países do bioma amazônica experimentaram um crescimento da doença, e a região continua sendo um foco de transmissão. Entre os fatores que contribuem para essa situação, incluem-se o desmatamento, os desafios de vigilância e tratamento, e a migração.

A malária é uma doença não contagiosa, causada pelo parasita do gênero Plasmodium. Sua transmissão depende de um vetor, em geral através da picada de mosquitos infectados do gênero Anopheles. A transmissão também pode acontecer por meio do compartilhamento de seringas, da transfusão de sangue ou durante a gravidez, passando da mãe infectada para o feto.

Os sintomas mais comuns da malária são febre alta, calafrios, dor de cabeça e sudorese. No início da doença, a febre se manifesta de forma contínua, mas depois se torna intermitente, reaparecendo usualmente a cada três dias. A agressividade da doença está ligada às diferentes espécies de parasitas do gênero Plasmodium, sendo que os casos mais graves podem levar à morte.

Doenças cuja transmissão depende de vetores estarão sob a influência do aquecimento global. Tanto o ciclo de vida de mosquitos e parasitas quanto parâmetros como a taxa de mordida ou a competência do vetor variam em função da temperatura. No Brasil, registra-se a transmissão da malária em áreas com temperaturas médias de até 32° C. O aquecimento poderá alterar a distribuição da doença.

O estudo investigou os efeitos da temperatura sobre uma das espécies de mosquito transmissoras da malária, de nome científico Nyssorhynchus darlingi. A espécie pode ser encontrada nos biomas brasileiros da Amazônia, do Cerrado e da Mata Atlântica.

Os cientistas coletaram mosquitos de quatro regiões do país, representando todos os biomas. Em laboratório, observaram o comportamento do ciclo de vida do inseto em condições diferentes de temperatura.

A influência do aumento da temperatura variou de acordo com a região de cada grupo de insetos, uma vez que eles apresentavam pequenas diferenças genéticas e respostas plásticas. Em geral, a temperatura interferiu no ciclo de vida de todos os grupos de mosquitos, implicando em uma fase larval e adulta mais curtas e tamanhos corporais menores.

Temperaturas mais altas levaram a um desenvolvimento larval mais rápido nos mosquitos da Amazônia. Mas foram aqueles da região da Mata Atlântica, no Rio de Janeiro, que apresentaram um melhor potencial de adaptação a faixas maiores de temperatura.

Porque se localizam em uma área do país mais ao sul do equador, os mosquitos da Mata Atlântica ficam atualmente expostos a temperaturas menores do que aquelas da Amazônia. Com isso, as etapas do ciclo de vida desses insetos se dão em velocidades menores.

Frente à elevação das temperaturas devido ao aquecimento global, o ciclo de vida dos mosquitos transmissores de malária da Mata Atlântica poderá se acelerar muito rapidamente. Por outro lado, o tamanho corporal e a longevidade dos insetos adultos não sofreria alterações relevantes, apontando para uma maior abundância e grande aumento da capacidade vetorial dessas populações de mosquitos.

As informações levantadas pelo estudo contribuirão para a realização de modelagens de distribuição futura da malária no Brasil. E aprofundar o entendimento dos efeitos potenciais do aquecimento global e das mudanças climáticas sobre a transmissão e distribuição da doença no país.

Mais informações: Chu, V. M., et al. “Regional variation in life history traits and plastic responses to temperature of the major malaria vector Nyssorhynchus darlingi in Brazil.” Scientific Reports 9.1 (2019): 5356.
Imagem: CDC/James Gathany

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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