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Mais calor, menos decomposição

O aquecimento global pode diminuir a taxa de decomposição de matéria orgânica de florestas tropicais, apontou estudo de pesquisadores de uma universidade dos Estados Unidos.

A hipótese levantada pelo estudo – que se encontra ainda em andamento – vai de encontro à teoria que informa os modelos climáticos atuais. Esta sustenta que à medida que avança o aquecimento global e sobem as temperaturas, a biomassa se decomporá mais rapidamente.

A decomposição da biomassa implica na emissão de dióxido de carbono – CO2. Nesse sentido, os modelos consideravam que as concentrações atmosféricas do gás de efeito estufa poderiam subir ainda mais.

Dois terços de toda a biomassa do planeta acima do solo se encontra nas florestas tropicais. Elas também armazenam cerca de um terço do carbono terrestre.

Haviam poucas informações disponíveis sobre os possíveis efeitos do aquecimento sobre a taxa de decomposição de ecossistemas florestais. Para avaliar a questão, os pesquisadores investigaram parcelas da Floresta Nacional El Yunque, em Porto Rico.

Em 2016 o Serviço Florestal dos Estados Unidos implementou na floresta o primeiro experimento de longo prazo sobre a influência do aquecimento global em florestas tropicais.

O experimento instalou aquecedores infravermelhos quatro metros acima do solo em três parcelas da floresta. O objetivo foi simular o aumento da temperatura média no local em 4ºC acima da temperatura normal. Outras três parcelas, sem qualquer tipo de alteração, foram estabelecidas para comparação.

Após um período de tempo, recolheu-se o material orgânico para medição da taxa de decomposição. Os resultados surpreenderam os pesquisadores. A biomassa das parcelas aquecidas quebrava mais lentamente que as amostras de um local sem alterações.

A expectativa era de que, com o aumento do calor, o metabolismo e a atividade dos micróbios e outros organismos responsáveis pela decomposição subiria. Assim, também cresceria a taxa com que decompunham a matéria orgânica.

Mas o aumento da temperatura provocou uma redução de aproximadamente 38% da umidade presente no material orgânico. Como os micróbios e organismos dependem também de condições ideias de umidade, o fato da matéria orgânica ter se tornado mais seca prejudicou a decomposição.

Os resultados sugerem o contrário da teoria atual. À medida que avança o aquecimento global, o material depositado no chão das florestas tropicais pode demorar mais tempo para se decompor, acumulando-se. Quantidades menores de CO2 seriam emitidas pelo processo.

Contudo, as implicações vão além da quantidade liberada de gases de efeito estufa. Menos carbono seria armazenado pelos solos, e a produção de nutrientes para as plantas poderia diminuir.

Deve-se ressaltar que os resultados ainda são preliminares. O estudo continua e complementará os dados por meio do detalhamento da comunidade microbiana e dos nutrientes presentes no material analisado. Talvez outros fatores tenham contribuído para a queda da taxa de decomposição.

Fonte: União Geofísica Americana – AGU
Imagem: Stephanie Roe/AGU – foto de uma parcela de floresta com aquecedores

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