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Maior frequência e intensidade de secas em regiões

Algumas regiões do planeta experimentaram, nas últimas décadas, um aumento robusto na frequência e intensidade das secas. Os pontos mais críticos foram a Amazônia, o sul da América do Sul, a região do Mediterrâneo, a maior parte da África e o nordeste da China, identificou estudo de um time de cientistas de universidades da Itália.

Comparado a outros eventos climáticos, as secas apresentam um conjunto de peculiaridades. Além de se desenvolver lentamente, de acordo com o estudo, as principais características das secas – por exemplo, o início, a duração ou a intensidade –  são difíceis de quantificar.

Os impactos provocados pelas secas, usualmente indiretos, se distribuem por grandes áreas e não afetam a infraestrutura. Isso introduz desafios à medição dos impactos de um evento específico de seca e, consequentemente, de seus danos econômicos.

Dessa forma, o registro de impactos da seca geralmente ocorre de modo incompleto e apenas qualitativo. Seus efeitos dependerão da exposição e da vulnerabilidade das sociedades afetadas, e podem ser agravados por outros fatores.

Há também várias formas de se classificar um evento de seca, incluindo, entre outros, as secas meteorológicas ou agrícolas. O estudo utilizou como referência a seca meteorológica, definida como a ausência de chuvas, ou chuvas abaixo do normal, durante um período prolongado de tempo.

O objetivo foi realizar um levantamento global de eventos de secas, abrangendo dados do período entre 1951 e 2016. O estudo analisou separadamente as secas meteorológicas a partir somente da quantidade de precipitação, e considerando tanto a precipitação quanto a temperatura.

Detectaram-se mais de 4.500 eventos de seca entre 1951 e 2016 em todo o mundo, com durações entre 3 e 72 meses. Desse total, 52 foram classificados como os eventos mais extremos.

Os 10 principais países com o maior aumento na frequência de secas estiveram concentrados na região do Mediterrâneo – como a Itália e a Espanha -, no Sahel e no centro-oeste da África. O nordeste da Europa consistiu na região em que países experimentaram a maior diminuição da frequência de secas.

A ocorrência dos eventos mais extremos subiu no oeste da América do Norte, na região do Mediterrâneo, no leste, oeste e sul da África, e no  leste da Ásia.

Durante as décadas de 50 e 60, o estudo observou eventos extremos de seca frequentes nas Américas do Norte e do Sul e no norte da Europa. A quantidade de secas caiu em todo o mundo ao longo da década dos anos 70. Nos anos 80, a América do Norte e o Sahel foram os mais atingidos pelas secas.

A partir do final dos anos 90 até 2016, verificou-se uma tendência de aumento da frequência das secas no sul da Europa, na África, na maior parte da Ásia e no sul da Austrália. Alguns eventos extremos se estenderam por três anos ou mais na Ásia oriental. e na Austrália.

Os resultados indicaram como locais críticos, nos quais a frequência e severidade das secas subiu, a Amazônia, o sul da América do Sul, a região do Mediterrâneo, a maior parte da África, o nordeste da China e, em menor medida, a Ásia Central e o sul da Austrália.

Com o avanço do aquecimento global, as projeções de modelos climáticos sugerem a continuação da tendência de crescimento da frequência e intensidade de secas nos locais críticos. Assim, o estudo alertou para a importância de executar estratégias de adaptação eficientes.

Mais informações: Spinoni, Jonathan, et al. “A new global database of meteorological drought events from 1951 to 2016.” Journal of Hydrology: Regional Studies 22 (2019): 100593.
Imagem: Figura 2 do estudo – entre 1951 e 2016, o mês de agosto de 2015 se mostrou aquele com a maior área mundial em condições de seca, cerca de 27,4%. A seca extrema é mostrada em vermelho, seca severa em laranja e seca moderada em amarelo.

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