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Maior estresse térmico pode prejudicar produção de leite no sul do país

O aumento das temperaturas poderá trazer impactos para a produção de leite da região Sul do Brasil, apontou estudo de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul.

Uma das principais atividades da agropecuária brasileira, a produção de leite é liderada pela região Sul do país. De acordo com o estudo, em 2016 a região foi a maior produtora, com 12,45 bilhões de litros.

Variáveis climáticas tem o potencial de influenciar a produção leiteira. Uma delas consiste em eventos que levem ao estresse térmico das vacas leiteiras, prejudicando o rendimento e diversos outros aspectos da produção.

As projeções futuras de aquecimento global indicam um aumento ainda maior da temperatura média global. Pesquisas anteriores mostraram que mais de 70% da área do Rio Grande do Sul enfrenta estresse calórico durante os meses do verão, o que poderia aumentar para 100% com um aumento de até 3ºC da temperatura do ar.

A fim de avaliar o impacto que o aquecimento global poderá trazer para a produção leiteira, o estudo utilizou dados meteorológicos de 4 municípios de cada estado da região Sul – Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul – para calcular o índice de temperatura e umidade atual. O índice é adotado para projetar o conforto térmico dos animais.

Foram elaborados três cenários de mudança das temperaturas máximas e mínimas registradas na região, considerando aumentos de 0,5º C, 1,5º C e 3º C em relação às médias observadas entre 1961 e 1990. A partir daí, os pesquisadores exploraram a interferência no estresse térmico.

O estudo identificou que atualmente o índice de temperatura e umidade dos meses de verão alcança valores elevados em todos os municípios avaliados. O índice atinge uma faixa de alerta para o conforto térmico das vacas leiteiras. Valores extremos ocorrem somente nos municípios do estado do Rio Grande do Sul.

No cenário de aumento da temperatura máxima em 0,5ºC, o estresse calórico atual diminuiria. Isso ocorreu porque as maiores temperaturas máximas seriam compensadas pelo aumento das temperaturas mínimas. No cenário de 1,5ºC, o índice sofre pequena variação.

O pior cenário consistiu no de 3ºC, quando as estimativas apontaram para a ocorrência de valores extremos do índice de temperatura e umidade em municípios dos três estados da região Sul. Nessas condições, os pesquisadores apontaram um declínio médio de 70 % na produção de leite em comparação com os níveis atuais.

O estudo levantou evidências de que nos meses de verão a região Sul do Brasil experimenta eventos de estresse calórico para as vacas leiteiras. As mudanças climáticas causadas pelo aquecimento global podem agravar o estresse.

Mais informações: Cenários de mudanças climáticas e seus impactos na produção leiteira no sul do Brasil
Imagem: Flickr/ Eduardo Amorim

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