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Limitar o aquecimento depende de políticas mais ambiciosas

A implementação de políticas climáticas rigorosas não seria suficiente para zerar as emissões de gases de efeito estufa, afirma estudo de um time internacional de cientistas. Alguns setores da economia apresentam grandes dificuldades em eliminar o uso de combustíveis fósseis e podem responder por emissões residuais no futuro, comprometendo o alcance da meta do acordo climático de Paris.

Os cientistas investigaram gargalos para o cumprimento da meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C ou a no máximo 2°C acima dos níveis pré-industriais. O foco foi na produção de cimento e aço e no setor de transportes, abrangendo desde carros até o frete aéreo e marítimo.

De acordo com os cientistas, tais setores enfrentarão um grande desafio para substituir a queima de combustíveis fósseis como fonte energética. Eles ainda não dispõe de alternativas para substituir as fontes fósseis, ao contrário do que se verifica na geração de eletricidade, onde a energia eólica e solar representam substitutos ao carvão, óleo e gás natural.

Dessa forma, os setores podem comprometer as metas do acordo de Paris. Limitar o aquecimento global implica em suspender as emissões de gases de efeito estufa. Para manter a temperatura média global em 1,5°C até 2100, uma estimativa calculou que as emissões cumulativas totais até lá devem ser de 200 gigatoneladas de dióxido de carbono – CO2.

Se as emissões anuais continuarem no mesmo ritmo atual, até 2100 somariam 4.000 gigatoneladas de CO2.

O estudo se baseou em um conjunto de modelos computacionais de avaliação integrada. Os modelos simularam interações sociais e econômicas, levando em consideração as metas, os custos econômicos e as alternativas tecnológicas. Foram analisados cenários em que política de mitigar o aquecimento global era mais ou menos ambiciosa em curto e longo prazo.

Acontece que estas são as atividades que determinam crucialmente quanto dióxido de carbono será emitido dentro deste século; se e quanto o mundo terá que depender de emissões negativas e, em última instância, se as metas climáticas acordadas internacionalmente podem ser cumpridas.

Mesmo em um contexto de políticas robustas e forte descarbonização da geração de energia, as simulações indicaram que as emissões residuais acumulariam aproximadamente 1000 gigatoneladas de CO2 até 2100. Segundo os cientistas, essa estimativa corresponderia ao cenário mais otimistas possível.

Alcançar as metas do acordo de Paris exigiria não somente zerar as emissões da geração de energia, mas também reduzir substancialmente a demanda de energia na indústria, no setor de transportes e nos edifícios. Seria preciso aprofundar a eficiência energética e promover a eletrificação generalizada da demanda de energia.

Tais ações precisariam ocorrer em curto prazo, antes de 2030. Por causa do extenso período de vida útil, novos projetos e infraestrutura dos setores responsáveis por emissões residuais, uma vez construídos, deverão continuar liberando carbono em longo prazo. É preciso colocar políticas em prática para evitar que isso aconteça.

Os cientistas alertaram que as metas não serão cumpridas, caso os países não intensifiquem os esforços de eliminar a dependência de combustíveis fósseis.

No vídeo abaixo (em inglês), o cientista Gunnar Luderer, de um dos centros de pesquisa envolvidos no estudo, sintetiza os principais resultados.

Fonte: PIK
Imagem: Pixabay

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